<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6789702253270593598</id><updated>2011-11-27T16:44:03.927-08:00</updated><title type='text'>TIMOR, lendas, prosas e narrativas</title><subtitle type='html'>Neste cantinho, todos podem escrever ou ensaiar escritos, desde as lendas de Timor, narrativas ou crónicas da nossa terra.
Aqui podes saciar o teu grande desejo de escrever. Nós seremos os teus críticos literários. Envia as tuas obras para 
Mau Lear "bei_luruk@blogspot.com"</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Mau Lear</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15677355814500837177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>34</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6789702253270593598.post-5762482572875215594</id><published>2011-04-16T03:06:00.000-07:00</published><updated>2011-04-16T03:26:02.952-07:00</updated><title type='text'>CERTEZAS E DÚVIDAS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-zhG9Kw-L_JE/TalrPz0jbFI/AAAAAAAAAKo/BdN1vRulzpM/s1600/BELU%252C%2BLUCA%2BE%2BO%2BT%25C3%2589TUM.png"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 512px; DISPLAY: block; HEIGHT: 297px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5596121931337395282" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-zhG9Kw-L_JE/TalrPz0jbFI/AAAAAAAAAKo/BdN1vRulzpM/s320/BELU%252C%2BLUCA%2BE%2BO%2BT%25C3%2589TUM.png" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;strong&gt; Uma das minhas interrogações é sobre a resposta que durante anos ouvi à minha pergunta, “de onde veio o seu povo?” &lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;Essa pergunta foi formulada aos “Lian Na’in” dos povos, quer Mambae, Bunak, Tétum ou mesmo Lakalei e a resposta era invariavelmente a mesma: Wéssei, Wéhali, Wéwiku. &lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;Levei muitos anos a tentar compreender estas afirmações que contrastavam com aquilo que nos era ensinado pelos estudiosos quando nos falavam sobre migrações e da chegada a Timor de grupos papuas, cerca de sete mil anos antes de Cristo e austronésicos, cinco mil anos depois. &lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;À pergunta de onde se encontravam esses lugares, era informado que apenas sabiam o nome dos locais, mas desconheciam a sua localização e mesmo aqueles que tentaram dar-me alguma informação, indicaram-me locais situados bem longe da realidade. &lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;Como admitir que povos tão diferentes nas suas características raciais e linguísticas tivessem todos o mesmo local de nascimento? &lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;A resposta dada por esses guardiões da tradição oral era de tal forma convincente que apesar de sabermos que essas populações tinham imigrado de outras paragens, ficávamos sem compreender o porquê de serem Wéhali, Wéssei, Wéwiku locais comuns a todos eles, nas suas memórias faladas. &lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;O que mais me destroça hoje, é que sem ter a noção de que isso me estava a acontecer, estive em Wéhali, por mais de uma vez, e só agora tenho a consciência frustrante dessa ironia. *&lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;Se procurarmos na pouca história escrita das épocas anteriores à chegada dos Portugueses, algo que nos possa fazer um pouco de luz sobre a organização social e politica dos muitos povos que habitavam toda a ilha de Timor, iremos encontrar ainda que pouco definida, algumas estruturas que nos podem ajudar a compreender ainda que um pouco a juízo, aquilo que foi e como rodava a vida nessa ilha. &lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;A lenda do crocodilo que se transformou na ilha de Timor, não é a única resposta que as mentes simples dos habitantes desta ínsula deram a si próprios para explicarem “o Génesis”. &lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;Outra lenda, esta não tanto vulgar, é aquela, em que a Criação da Terra, quando tudo era apenas água, aconteceu num local que depois se tornaria no centro de Timor e mesmo do Universo. &lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;Na primeira terra a emergir das águas, surgiu um buraco perto do qual nasceu uma Ficus benghalensis, ou banyan tree. Essa abertura era como o umbigo do Mundo e daí saíram todos os seres que o vieram a povoar. &lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;Esta segunda lenda, não tão conhecida como a primeira, diz que o Reino de Wéhali foi o tal umbigo onde se deu o Génesis de toda a humanidade. &lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;È fácil ligar a ficção ao nome de Wéhali pois que em tétum língua dessa região, Wé significa água e hali é o nome dado ao Gondão ou seja o Banyan tree. &lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;Será que foi essa lenda, uma das razões, para que esse lugar perdure na memória de todos esses povos como a origem das suas existências? &lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;Por outro lado: &lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;Se nos debruçarmos sobre o pouco conhecimento histórico e oral, referente à hegemonia do reino de Wéhali sobre todos os reinos de Timor, iremos ao encontro de algumas conjunturas, dúbias na verdade, mas que podem servir de base para verdades confirmadas. &lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;Temos por exemplo notícias dadas pelos Jesuítas que por volta dos séculos VII ou VIII, portanto, informações de memórias orais colhidas pelos mesmos no local de Oé Cussi, que nas praias de Lifau, vindos do Reino de Wéhali, apareceram cinco indivíduos de nome Tá’e Baria, Liurai Sila, Somba'i Sila, Afo'an Sila e Benu Sila que aí se separaram, depois de terem dividido entre si a ilha de Timor. Confirmando o dito de que onde há fumo há fogo, em 1522 quando da passagem de Fernando Magalhães por Timor na sua viagem de Circum-navegação, António Pigafetta que seguia na expedição como estudioso de fauna flora e costumes dos povos por onde passavam refere a existência de quatro grandes reinos cujos reis eram irmãos e que eram Suai e Kamenassa, Likusaen (Liquiçá) e Oibich (Wéwiku) por intermédio de quem os pequenos Reinos situados a Leste da região dos Belos, prestavam suserania ao reino de Wéhali. &lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;A Língua Tétum unia o reino suserano, a todos os reinos da região dos Belos, até Batugadè/Balibó e prolongava-se na costa Sul, pelos reinos de Suai e Kamenassa até ao reino de Luca. &lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;Se repararmos no mapa em cima, verificamos que à representação vermelha nesse mapa, (língua Tétum), junta-se o reino de Likusaen (Liquiçá) tradicionalmente por razões familiares ligado a Wéhali e que fechava ao Norte o cerco da hegemonia desse reino. &lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;A destruição do reino de Wéhali por volta do ano de 1642, segundo o Livro de S. Domingos, por forças de Tupases, ajudados pelos reinos convertidos ao Cristianismo e debaixo da chefia dos frades Dominicanos, dá-nos mais dados que permitem avaliar o tempo aproximado do predomínio desse reino sobre os outros reinos de Timor. Acreditando na informação deixada pelos Jesuítas que falam dos séculos VII e VIII até à data da destruição de Wéhali em mil e seiscentos vão por volta de dez séculos. Se por acaso nos reportarmos às notas de António Pigafetta de 1522 temos outra realidade que nos dá essa hegemonia com pelo menos, um século de duração. Essa autoridade sobre os restantes reinos da Ilha, poderá pois circunscrever-se entre um a dez séculos, apesar da influência na ilha de Timor, dos reinos islames e budistas de Kediri e Majapahit entre 1049 e 1527. &lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;Depois de todo o exposto, ficam duas opções para justificar que todas essas populações indiquem Wéhali, Wéwiku e Wéssei como locais das suas proveniências: &lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;A lenda da criação do Mundo com o “Génesis” em Wéhali, ou a supremacia política e ritual desse reino, durante séculos, sobre esses povos. Será alguma destas, a resposta para a grande dúvida?&lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;"in apontamentos" &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;mco&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6789702253270593598-5762482572875215594?l=timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/feeds/5762482572875215594/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6789702253270593598&amp;postID=5762482572875215594&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/5762482572875215594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/5762482572875215594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/2011/04/certezas-e-duvidas.html' title='CERTEZAS E DÚVIDAS'/><author><name>Mau Lear</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15677355814500837177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-zhG9Kw-L_JE/TalrPz0jbFI/AAAAAAAAAKo/BdN1vRulzpM/s72-c/BELU%252C%2BLUCA%2BE%2BO%2BT%25C3%2589TUM.png' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6789702253270593598.post-7057804886736093924</id><published>2010-06-26T02:40:00.000-07:00</published><updated>2010-06-26T02:53:16.003-07:00</updated><title type='text'>DILI 1974 - MANIFESTAÇÃO A ALMEIDA SANTOS</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/TCXMXQovvoI/AAAAAAAAAJk/NXX0kbgqF0E/s1600/item.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 218px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5487016420995743362" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/TCXMXQovvoI/AAAAAAAAAJk/NXX0kbgqF0E/s320/item.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nestes tempos em que os nossos “navegadores”, na África do Sul, procuram no meio de procelas futebolísticas, de novo, dobrarem o Cabo das Tormentas com rumo à imortalidade, naveguei eu também, mas na internet.&lt;br /&gt;As descobertas de antanho foram pequenas em comparação a uma fotografia que descobri. Ela é um documento histórico do passado, e nela mergulhei, até porque pessoalmente e em função das pessoas que lá aparecem, me aniquilaram segundos de intenso amor, saudade e mágoa.&lt;br /&gt;E, se do meu passado, me vieram essas lembranças, também de um presente não muito longínquo, me veio a lembrança de um texto sobre esse assunto, escrito no livro “Buan, Buan, Buan” que não resisto a transcrever: &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;* &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;“Timor, especialmente Díli, dia a dia ficava mais mergulhada na liberdade nova palavra que na realidade significava o caos. Os slogans importados, sabe Deus de onde, enchiam as paredes como prova cabal de que os bons e educados costumes estavam já ultrapassados. Os jovens em nome de uma nova era política, apedrejavam nas ruas a polícia e elementos de outros partidos, criando uma instabilidade propícia aos desígnios de outros, que na sombra manobravam os cordelinhos, com polegares levantados em forma de aquiescência e apoio. Matavam-se os irmãos para se dar lugar a uns mencionados primos, os quais esfregavam as mãos em grande gozo político. Os serviços secretos Indonésios, esses estavam a levar bem a água ao seu moinho, dominando a situação política a seu belo prazer.&lt;br /&gt;No meio de toda esta confusão eu apenas saía de casa para o jardim do padre reitor, e rezava para que toda esta barafunda passasse rapidamente.&lt;br /&gt;No cerne da nova ordem que as forças policiais não podiam, ou não queriam pôr cobro, surgiu a notícia de que vinha um ministro de Portugal, para in loco apreciar se o “Transatlântico parado no meio do oceano” estava já andando para o lado Indonésio, ou nem por isso. Foi o pandemónio. Das montanhas desceram os fantasmas do passado em forma de bandeiras velhinhas, tão velhas que ao passarem transportadas por velhos montanheses de longas barbas brancas, nos sentíamos na obrigação de ajoelhar em homenagem a um passado já passado, que se erguia orgulhoso, antes de ser traído, e tombar para sempre nas tumbas do obsoleto. O Ministro chegou por fim a essa ilha em forma de crocodilo, quedou-se emocionado, soltou um gemido e algumas lágrimas do supradito e regressou muito depressa, para nas entrelinhas das suas novas declarações em forma de arrependimento, dizer que era necessário acelerar a confecção da sopa que estava a ser cozinhada. O destino de Timor estava traçado. Muitos milhares, embalados mais uma vez nas palavras fingidas de um lado, e radicais do outro, estavam psicologicamente preparados para serem imolados no altar da hipocrisia e da ganância do poder, caminhando por entre cânticos ardentes de revolução e outras cantigas antigas, inevitavelmente, em direcção do holocausto.”&lt;/span&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;"in Buan,Buan,Buan"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;mco&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6789702253270593598-7057804886736093924?l=timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/feeds/7057804886736093924/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6789702253270593598&amp;postID=7057804886736093924&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/7057804886736093924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/7057804886736093924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/2010/06/dili-1974-manifestacao-almeida-santos.html' title='DILI 1974 - MANIFESTAÇÃO A ALMEIDA SANTOS'/><author><name>Mau Lear</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15677355814500837177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/TCXMXQovvoI/AAAAAAAAAJk/NXX0kbgqF0E/s72-c/item.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6789702253270593598.post-7558513936777947175</id><published>2010-05-23T03:43:00.000-07:00</published><updated>2010-05-26T23:25:01.205-07:00</updated><title type='text'>LIURAI OU LIUR RAI ?</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/S_kKeQUyNFI/AAAAAAAAAJc/Ath7Li4L4yw/s1600/crescente.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 240px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5474418336940045394" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/S_kKeQUyNFI/AAAAAAAAAJc/Ath7Li4L4yw/s320/crescente.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num passado que me parece algo distante, mas que foi apesar disso um passado sempre presente, por vezes e quiçá, em noites de insónias, quando o tempo de recordar é mais silencioso e essas noites se unem às noites de tempos idos, surgem do nada, dúvidas e certezas que constituem fragmentos do meu passado.&lt;br /&gt;Muitas vezes nesses momentos maldigo oportunidades perdidas pela imaturidade de uma juventude, em que os valores e opções eram muito diferentes dos que hoje se tornaram prioritários.&lt;br /&gt;Por vezes pormenores perdidos na memória, por terem sido julgados sem interesse, tomam hoje para mim, dimensões e urgências de grande peso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A palavra LIURAI surgiu no meu rol de vocábulos da língua Tétum, como mais uma, sem que nada a distinguisse das demais que a pouco e pouco fui assimilando com o objectivo de me integrar numa sociedade diferente daquela de onde eu provinha.&lt;br /&gt;Durante trinta e cinco anos, ou quase, usei esse termo sem pensar o que ele poderia na realidade significar. Hoje, afastado de Timor, ou talvez por isso mesmo, retornam de cantos recônditos do meu cérebro questões que nunca tinha posto a mim mesmo.&lt;br /&gt;A pergunta que serve de título a este meu texto, é isso mesmo, uma pergunta que deixo no ar, esperando respostas e luz sobre um assunto que de repente me deixou confuso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem ser, ou ter a pretensão de ser um filólogo, fiquei discorrendo que a palavra LIURAI é composta por duas partes, uma delas, a segunda, bem definida é RAI, cujo significado é o de “terra”. A primeira, é talvez a palavra LIU, que significa “passar” “superior a” donde juntando as duas partes, poderíamos cogitar que LIURAI era alguém ou algo que era superior à terra, ou aceitando um sentido lato, ao povo. Ora o LIURAI é, como podemos concluir um ser que se encontra acima do povo, podendo ser no caso de Timor um Rei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejamos o que diz a Wikipédia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Liurai é o governante de um título em Timor. A palavra é do tétum e, literalmente, significa "superando a terra". Ele é originalmente associada a Wehali, um reino central ritualmente situada na costa sul de Timor Central (agora incluído na Indonésia). O senhor sacral de Wehali, o Oan Maromak ("filho de Deus") teve um papel passivo ritualmente, e ele manteve o Liurai como governante executivo da terra. ….. “&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sendo talvez difícil de determinar qual a data ou época da entrada da palavra “Liurai” na linguagem tradicional do Timorense, temos mais uma dificuldade para vencer, pois que isso nos podia ajudar a compreender a verdade sobre o significado inicial do termo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu explico o porquê desta minha afirmação. Desde tempos imemoriais, segundo alguns escritos e conversas já não identificadas por mim, mas que ficaram gravados nos tais “cantos recônditos do meu cérebro” alguns povos de Timor tendo problemas com os seus chefes, os tais que seriam os seus Reis, teriam ido “comprar” fora de Timor especialmente às ilhas de Flores, Wetar ou Kissar indivíduos para liderarem os seus reinos. Como outrora em Portugal existiram os Juizes de fora, também em Timor existiram os reis de fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dom António da Costa Liurai de Fatu Berliu, certa vez apresentou-me um indivíduo cujo nome esqueci, (a tal imaturidade da Juventude) natural de Wetar que teria sido comprado  pelo povo de Fatu Berliu para governar o reino. Era um sujeito mais alto que a média do povo Timorense de tez bastante branca sugerindo uma mestiçagem que poderia ser de raça chinesa, e que vivia na antiga vila de Fatu Berliu no alto da montanha que nesse tempo era o centro administrativo da região.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que nessa altura não dei ao caso o interesse que possivelmente ele merecia nem aprofundei o porquê disso, mas os casos das tais compras de pessoas de “FORA DA TERRA” para liderarem alguns reinos por esse Timor fora, pois que segundo é de crer se tornou uma prática useira, podem sugerir que a palavra LIUR “fora” “de fora” RAI, definiria esses reis importados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com os tempos, a palavra LIUR RAI, teria perdido o “R” de LIUR, dando a forma LIURAI, hoje vulgarmente, e exageradamente usada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;"Por esse Timor fora"&lt;br /&gt;mco&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6789702253270593598-7558513936777947175?l=timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/feeds/7558513936777947175/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6789702253270593598&amp;postID=7558513936777947175&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/7558513936777947175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/7558513936777947175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/2010/05/liurai-ou-liur-rai.html' title='&lt;strong&gt;LIURAI OU LIUR RAI ?&lt;/strong&gt;'/><author><name>Mau Lear</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15677355814500837177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/S_kKeQUyNFI/AAAAAAAAAJc/Ath7Li4L4yw/s72-c/crescente.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6789702253270593598.post-6945857922606158262</id><published>2010-03-30T04:27:00.000-07:00</published><updated>2010-03-30T11:12:18.797-07:00</updated><title type='text'>DRAGÕES PEQUENOS OU LAGARTOS GIGANTES</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Dragão-Comodo&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/S7HiyIgWwhI/AAAAAAAAAI0/xaRperZDlZQ/s1600/dragao-de-komodo-7.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 104px; FLOAT: left; HEIGHT: 144px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5454389974626910738" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/S7HiyIgWwhI/AAAAAAAAAI0/xaRperZDlZQ/s320/dragao-de-komodo-7.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ao fim de largos anos em Timor, não sendo esses anos totalmente passados em cidades mas, pelo contrário no terreno, em matas e ribeiras e muitas vezes no meio de capim de hortas e várzeas julgava &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;já ter visto todas as espécies animais desta terra. &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Estávamos no ano de 1972 em plena época de várzeas, e eu encontrava-me em casa de um agricultor amigo, onde normalmente residia quando me deslocava para as planícies de Godole ou Saré. O calor era abrasador, o sol estava a pino e alguns agricultores que tinham começado a trabalhar nas suas várzeas quase de madrugada, tiravam um descanso protegendo-se da soalheira sentando-se à sombra de uma frondosa mangueira que se encontrava a uns vinte metros da casa onde eu estava. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;lafaik-rai-maran&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/S7Ig5-l3apI/AAAAAAAAAJM/0_KopdX9-KI/s1600/Varanus.jpg"&gt;&lt;strong&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 116px; FLOAT: left; HEIGHT: 144px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5454458279125543570" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/S7Ig5-l3apI/AAAAAAAAAJM/0_KopdX9-KI/s320/Varanus.jpg" /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A estrada de terra-batida passava mesmo em frente da casa, e por detrás desta, passava um cano de água para as várzeas. Eu encontrava-me olhando para os campos de arroz que verdejavam do outro lado da estrada. Vindo dessa mesma direcção e atravessando a estrada, um animal com quase um metro e meio de comprimento cuja cabeça era o de uma cobra, com a língua bifurcada fora da boca e o resto do corpo de lagarto, avançava indiferente à presença de mais de uma dezena de homens que se sentavam encostados à mangueira, fumando os seus cigarros e desfrutados de uns momentos de descanso. Calmamente, desinteressado do que o rodeava, com uma sobranceria de quem não teme, passou entre a casa e a mangueira agora deserta, em direcção ao cano de água.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O choque provocado em mim por essa aparição e a actuação do grupo de agricultores que mesmo armados de catanas tinham fugido em todas as direcções puseram-me de sobreaviso sobre o possível perigo que poderia advir de tão estranho animal. &lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;O meu amigo já munido de um comprido varapau disse-me: - Foi este bandido que matou o meu búfalo, e as vacas do Páscoa.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Segundo me disseram depois, muitas vezes Búfalos bem grandes e vacas apareciam mortos com sinal de dois buracos feitos pela dentada deste animal, cujo veneno é muito potente.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Peguei na minha espingarda ponto vinte e dois, calibre que dava para caçar pombos, e saí para fora da casa. Os agricultores munidos de varas e catanas passados os primeiros momentos de estupefacção estavam preparados para atacar o animal.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Sitiado de homens armados, o animal não tentou fugir, antes ainda fez um arremedo de ataque, mas foi rapidamente anulado pelo número de pauladas que o atingiram.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;O formato do corpo do animal era como uma ampliação dos pequenos lagartos que tem o nome de Lafaik-rai-maran e que habitam árvores existentes em Timor, a que se dá o nome de “Hali”, gondoeiros ou “ficus benjamina”. Este era no entanto quinze a vinte vezes maior. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Lembrei-me do que tinha lido sobre os dragões de Comodo e mesmo sem grande conhecimento nesse campo, conclui que apesar de eles serem maiores do animal que eu tinha visto, seriam forçosamente muito próximos, até no nome porque são conhecidos nas suas regiões, onde o dragão de Comodo é chamado de “Buaya darat” que é o mesmo que Lafaik-rai-maran ou seja crocodilo da terra.&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;mco&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;"in retalhos de uma vida em Timor"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6789702253270593598-6945857922606158262?l=timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/feeds/6945857922606158262/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6789702253270593598&amp;postID=6945857922606158262&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/6945857922606158262'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/6945857922606158262'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/2010/03/dragoes-pequenos-ou-lagartos-gigantes.html' title='DRAGÕES PEQUENOS OU LAGARTOS GIGANTES'/><author><name>Mau Lear</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15677355814500837177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/S7HiyIgWwhI/AAAAAAAAAI0/xaRperZDlZQ/s72-c/dragao-de-komodo-7.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6789702253270593598.post-8830393505439558797</id><published>2010-01-28T07:30:00.000-08:00</published><updated>2010-07-24T01:08:23.806-07:00</updated><title type='text'>UMAS BOTAS QUE FAZIAM MUITO BARULHO</title><content type='html'>&lt;strong&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/S2GxZJO1-hI/AAAAAAAAAIM/U7GpRsCGf0s/s1600-h/Leoveg%C3%ADldo+Ladislau++Mascarenhas+Ingl%C3%AAs.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 199px; FLOAT: left; HEIGHT: 298px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5431817671118551570" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/S2GxZJO1-hI/AAAAAAAAAIM/U7GpRsCGf0s/s320/Leoveg%C3%ADldo+Ladislau++Mascarenhas+Ingl%C3%AAs.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;A &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;história que eu quero contar tem ligações a imensos anos atrás, mais propriamente aos anos de 1895. Quando em Timor rebentou a revolta de Manufahi que durou entre, avanço, recuos e longos interregnos nas lutas, por volta de dezassete anos. Esta revolta a última grande revolta antiportuguesa da história de Timor, foi liderada pelo régulo Dom Boaventura de Same. A última fase dessa rebelião foi sem dúvida a mais violenta e a que maior número de vítimas provocou. Quanto às suas causas, estas balançam entre a violação da mulher do próprio Dom Boaventura, perpetrada pelo Governador Alfredo Lacerda Maia (capitão-tenente da Armada), o qual foi posteriormente assassinado, e a proposta das autoridades coloniais de aumentar o imposto de capitação de uma pataca para duas patacas e dez ovos. A troca da Bandeira da Monarquia para a da República, poderá ter tido também peso no descontentamento de alguns régulos, uma vez que a Bandeira sempre foi em Timor uma orientação de fidelidade. Recordo como morreram, Dom José Nunes, Dom Aleixo Corte Real e Dom Jeremias de Luca cujos povos foram massacrados por defenderem a Bandeira, do ocupante Japonês. Além de todas estas razões, existia também a permanente interferência dos holandeses, procurando sublevar os régulos Timorenses contra Portugal na mira de poderem depois ocupar esse lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho dúvidas que qualquer das razões a cima apontadas poderia só por si provocar desmandos e guerras, mas durante quinze anos as forças Portuguesa não lograram resolver o problema de segurança, e só depois de Dili ter sido atacada com bastantes mortos e feridos que os reforços chegaram. O Governador Filomeno da Câmara, com ajuda de reinos fiéis de Lacló, Manatuto e Suro além de 28 soldados europeus e do reforço dos soldados Landins de Moçambique, entre 1911 e 1912, controlou a rebelião, aprisionando o régulo Dom Boaventura.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;Na parte mais Sul do conhecido Quintal Mascarenhas em Dili, existiu em tempos uma casa de aspecto senhorial pertença da família dona desse quintal, a família Mascarenhas Inglês. Essa casa de aspecto notável, hoje apenas um monte de escombros, existe na minha memória por via de alguma foto, quiçá de cor amarelo-escura (sépia) da qual me ficou ténue reminiscência.&lt;br /&gt;Quis a vida, principalmente porque sempre foi um dos meus princípios arranjar amigos, que essa família viesse a ter um grande protagonismo na minha existência em Timor. Durante o tempo da Administração Portuguesa tornei-me muito amigo de um senhor de apelido Mascarenhas Inglês neto do dono, o qual construiu a sua própria moradia por detrás das referidas ruínas.&lt;br /&gt;Durante a ocupação Indonésia de Timor, também por desígnios da vida, de novo me encontrei ligado a uma irmã desse meu amigo, que foi para mim como que uma segunda mãe. Essa senhora viúva era a gerente do Hotel Turismo em Dili e porque era a única representante da Família Mascarenhas Inglês em Timor nessa época, preocupava-se em manter longe da cobiça dos ocupantes Indonésios todos os bens da sua família. Ocupei então, para evitar que estranhos o fizessem, a casa do meu amigo com a concordância de sua irmã.&lt;br /&gt;Ao longo dos tempos que aí permaneci, pude constatar que a casa era, como se dizia em Timor, “Uma moris” o que equivalia a explicar sem mais, a existência de ocorrências não compreensíveis aos nossos sentidos e portanto do âmbito sobrenatural. Passos bastante ruidosos dentro da casa, portas a bater, a porta do frigorífico a abrir e a fechar, quando eu me encontrava sozinho em casa, tudo isto dava bem uma ideia daquilo a que me refiro.&lt;br /&gt;Como velho andarilho pelo interior de Timor onde habitei sozinho algumas antigas mansões, quase todas elas com barulhos e situações difíceis de explicar, não dei importância aquilo que inúmeras vezes me sucedia. Algumas vezes ao regressar à noite, depois de um dia de calor, era bastante agradável sentar-me num cadeirão que estava na varanda da frente da casa, desfrutando da amena frescura que de algum modo compensava os calores sofridos durante o dia. A sensação era deveras agradável e algumas vezes, indiferente aos mosquitos que me rodeavam, deixava-me transportar aos reinos de Morfeu.&lt;br /&gt;Uma noite aconteceu-me ser acordado por um sonoro pssst. pssst. que me deixou intrigado e me fez procurar em volta quem me chamava. Bem procurei até que me convenci de que não havia ninguém. Dai para a frente e sempre que isso me acontecia e era acordado dessa maneira quiçá amigável, apenas me levantava e dizia: - Eu vou já! Boa noite. E entrava em casa para me deitar. Apesar destas coisas que me aconteciam serem estranhas eu sentia que tudo isso não era agressivo mas pelo contrário eu estava a ser protegido. Era uma emoção estranha, bastante profunda e sempre presente.&lt;br /&gt;O quotidiano não se modificou muito durante os quase três anos que aí vivi.&lt;br /&gt;Um dia… era dia de finados, fui ao cemitério de Santa Cruz com a minha amiga, pois ela nesse dia, como todos os Timorenses ia ao cemitério rezar e pôr flores na campa dos familiares e amigos já falecidos.&lt;br /&gt;Eu gosto de visitar cemitérios, pois que estes espelham, como um livro aberto a História de uma região ou pais. O cemitério de Santa Cruz é mesmo, para quem consegue ler, nas datas e no que os amigos e familiares escrevem dos entes queridos, um fabuloso conto que apesar de fúnebre nos transporta por vezes a séculos de distância.&lt;br /&gt;Segui a minha amiga e ela ia pondo flores e rezando em muitas campas que nem sequer nomes tinham, mas que se via serem mais velhas que ela e eu curioso ia perguntando: - Quem foi? E tentava assimilar a informação que ela me dava mesmo que piedosamente me dissesse: - É muito antiga e não sei quem aqui está, mas sei que não tem ninguém que venha aqui rezar. E lá punha mais umas flores e mais uns Pai-Nosso.&lt;br /&gt;Depois de algum tempo de rezas e flores, chegamos a uma campa, que destoava das outras, por ser muito antiga e feia sem nada visível que nos desse conta de quem descansava lá. Era como se fosse um cubo de faces desiguais, com aproximadamente um metro de altura do chão e com a face superior com um metro e meio de largura por um metro e meio de comprimento. A cor era cinzenta escura decerto por ser cimento misturado com cal, que sofrera em cima, toda a violência de muitos anos de calor, frio e chuva. Esta tumba tornava-se gritante, por destoar no meio de esforços visíveis de beleza, que os vivos procuravam dar às últimas moradas dos seus entes queridos.&lt;br /&gt;Fiquei sinceramente pendente da explicação que eu iria ter da minha amiga sobre aquela campa que me deixava subitamente triste e curioso. Decerto seria mais uma das campas sem família que pudesse cuidar dela. A explicação era entretanto diferente. Aquela campa tinha sido feita pelo governo Militar de Timor, muito antes do seu nascimento e pertencia a um seu bisavô morto na guerra de Manufahi. Jurei a mim mesmo saber toda aquela história e esperei que a piedosa jornada pelo cemitério terminasse para conhecer todos os pormenores sobre o caso.&lt;br /&gt;A explicação dada pela neta do falecido, foi que o governo militar Português sempre se opusera a que campa fosse modificada e por isso continuava como fora construída, haviam mais de oitenta anos àquela data.&lt;br /&gt;Procurei investigar os mais velhos e mais sábios Timorenses sobre o passado e cheguei à conclusão de que a campa pertencia a Leovegildo Ladislau Mascarenhas Inglês, Major, Comandante do Estado Maior do Comando Territorial Independente de Timor, que tinha sido morto em combate em 1912 na guerra de Manufahi. Fora ele, o dono e construtor da tal casa em ruínas, no quintal Mascarenhas.&lt;br /&gt;Como a Administração Indonésia se não opunha a que se remodelasse o jazigo, fiz um desenho com o objectivo de dar aquela campa um pouco de dignidade sem lhe destruir a base e propus à minha segunda mãe e amiga que se retirassem os ossos e fossem metidos numa pequena urna. Esta seria colocada de novo dentro da sepultura depois de feita a remodelação. Como ela era muito religiosa, alvitrei uma missa de sufrágio pela alma do defunto. Concordou e ficou contente com o interesse que eu demonstrara.&lt;br /&gt;O dia da exumação foi marcado e entretanto descobri que eram dois os corpos enterrados naquela campa, não existindo o nome do segundo e sendo apenas apresentado como um companheiro de armas, um soldado desconhecido. Terá sido talvez esta a razão, da oposição dos militares Portugueses, a uma modificação na campa.&lt;br /&gt;Tudo foi concluído de acordo com o programa que tinha sido feito. Os ossos dos falecidos foram postos dentro de uma pequena urna e apenas ficou de fora desta um par de bota da tropa de bom cabedal com um imprevisível aspecto de novo.&lt;br /&gt;A placa feita de marmorite encimava o cone truncado por uma pequena plataforma com amieiras e no meio uma cruz de ferro encimava a nova moradia deste dois malogrados soldados. Na base do cone uma porta dava entrada para o nicho onde ficaria a urna com os ossos. Esta pequena história foi recordada porque encontrei na internet uma foto da campa que me fez de novo sonhar com o passado.&lt;br /&gt;Uma coisa ficou por aclarar, e essa talvez não tenha uma explicação fácil de conceber, uma vez que entra na área do imaginário. Desde que essa campa fora aberta e os ossos colocados na nova campa além da tal missa, NUNCA MAIS NAQUELA CASA FORAM OUVIDOS PASSOS, NEM OUTROS BARULHOS e os nocturnos chamamentos de pssst, pssst terminaram.&lt;br /&gt;Dizia um amigo, com certa graça: - Eram aquelas botas que faziam tanto barulho.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#000000;"&gt;mco&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#000000;"&gt;in "Retalhos de uma vida em Timor"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6789702253270593598-8830393505439558797?l=timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/feeds/8830393505439558797/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6789702253270593598&amp;postID=8830393505439558797&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/8830393505439558797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/8830393505439558797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/2010/01/umas-botas-que-faziam-muito-barulho.html' title='UMAS BOTAS QUE FAZIAM MUITO BARULHO'/><author><name>Mau Lear</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15677355814500837177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/S2GxZJO1-hI/AAAAAAAAAIM/U7GpRsCGf0s/s72-c/Leoveg%C3%ADldo+Ladislau++Mascarenhas+Ingl%C3%AAs.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6789702253270593598.post-7042414250618994327</id><published>2009-10-10T11:47:00.000-07:00</published><updated>2009-10-12T02:56:58.299-07:00</updated><title type='text'>A PARABELLUM</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/StDXjbgCi2I/AAAAAAAAAIA/7SgcjspVth0/s1600-h/Parabellum.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 200px; FLOAT: right; HEIGHT: 126px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5391045757640018786" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/StDXjbgCi2I/AAAAAAAAAIA/7SgcjspVth0/s200/Parabellum.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Uma das primeiras famílias que conheci em Timor, mais propriamente em Dili onde fiquei colocado no meu serviço militar, foi uma das mais contestadas famílias de Timor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O “Velho” pai, um acérrimo adversário político de Salazar, foi por isso mesmo mandado com bilhete de ida sem volta, para esta longínqua paragem, que nessa época e talvez como cópia do que a Inglaterra fizera com a Austrália, se tornou no Tarrafal dos políticos incómodos e assassinos perigosos.Em 1938, o então governador da Colónia dizia-se em situação difícil para manter 97 deportados e bastantes degredados europeus e chineses (telegrama do Governador para o Ministro das Colónias em Julho de 1938).&lt;br /&gt;Um dos mais conhecidos desses degredados era o advogado Carlos Cal Brandão, deportado desde 1931, e autor do Livro "Funo" que conta um pouco da história de Timor durante a ocupação Japonesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa família dizia eu, tornei-me bastante amigo de um dos filhos mais velhos, também de nome Manuel como o pai, que geria a plantação de café da família, no alto das montanhas de Liquiçá. Fui, desde o primeiro ano, convidado do Manuel para ir passar o tempo de Natal na frescura da sua plantação. Era, dizia ele, mais parecido com o clima do Natal na “metrópole”, e nessa altura toda a família "obrigatoriamente" se deslocava para lá.&lt;br /&gt;Numa das muitas vezes que fui com ele montanha a cima, para desfrutar um pouco a diversidade do clima de Timor, aconteceu que ao fazer uma curva, a viatura conduzida pelo “Manel” se chegou de mais à berma da estrada e esta cedeu, e lá ficámos nós, com uma roda pendurada no abismo e as outras três mesmo à beira disso.&lt;br /&gt;Saltei do carro e procurei salvar os meus haveres, que se encontravam na parte de trás da carrinha Nissan em que fazíamos a viagem, assim como outra bagagem mais perto e fácil de salvar, como a minha mochila e outros sacos e malas que se encontravam mais acessíveis.&lt;br /&gt;Naquela aflição, o Manel encontrava-se bastante calmo ao volante do carro tocando a buzina repetidas vezes, começando então a surgir de dentro do mato que ladeava a estrada algumas pessoas para ajudar. Todos juntos com uns empurrões e umas acelerações, lá conseguimos pôr de novo a viatura na estrada.&lt;br /&gt;O trabalho seguinte foi o de meter toda a bagagem de novo no carro e lá continuamos por uma estrada bastante perigosa que em alguns trechos diria que quase impraticável até à casa que ficava quase no coração da propriedade.&lt;br /&gt;Se uma plantação "de café" era algo novo para mim, que só o conhecia já fumegante na chávena, a paisagem que se avistava nas traseiras daquele casarão, era estonteante, em grandeza, cor e beleza.&lt;br /&gt;Dali avistava-se quase todo o vale da ribeira Lóis, as planícies de Godole e Saré, e ainda as montanhas onde estavam as plantações de Fatu Bessi, Ura Hou e o vale da ribeira Sui, que vem do vale da ribeira de Gleno.&lt;br /&gt;Depois de descansarmos e de um almoço especial, demos uma volta, subindo e descendo íngremes caminhos até a uma pequena ribeira no seio da montanha onde pela primeira vez constatei a existência de pequenos camarões de água doce, a novecentos metros de altitude. Depois de uma pescaria bem animada, voltamos de novo desta vez trepando até a casa.&lt;br /&gt;Estava mais que vencido pelo cansaço e emoções de um dia repleto de imprevistos, mas esse dia não tinha ainda terminado. Depois de um banho de água quente, o que em Timor não seria muito imaginável, sentámo-nos na varanda gozando um pouco o calmo entardecer em que a ausência dos mosquitos e o cheiro a húmus e à flor dos cafeeiros davam um cunho de paraíso. Esse&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; momento de paz e descanço foi no entanto quebrado quando chegou em frente da casa um velho timorense que transportava algo nas duas mãos como se fosse uma bandeja e grande foi o meu espanto quando reconheci a minha pistola Parabellum. Tinha-a trazido comigo, dentro da minha mochila. Ela caíra na estrada na altura em que eu tirara toda a bagagem para fora do carro.&lt;br /&gt;A pistola tinha sido encontrada e as pessoas que tinham ajudado a empurrar o carro para este poder sair de posição em que se encontrava, logo discerniram que a pistola tinha que ser do “malae” que passara de manhã com o patrão “Manel”. Eu não tinha dado por falta dela, pois ainda não mexera na mochila, e desde que ela caíra até de novo voltar para o seu lugar dentro do saco, já iam mais de seis horas. Um bom susto.&lt;br /&gt;Passados uns anos já no tempo do domínio Indonésio, eu e o meu amigo Manel no mesmo local onde isso acontecera, relembrando o passado, comentávamos esse acontecimento e a pergunta ficou a pairar “Se fosse hoje a pistola seria entregue?”A resposta mais provável seria: &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;- “Nunca mais ninguém a veria, seria mais uma arma na luta contra a Indonésia”&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;mco&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;in "Retalhos de uma vida em Timor"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6789702253270593598-7042414250618994327?l=timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/feeds/7042414250618994327/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6789702253270593598&amp;postID=7042414250618994327&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/7042414250618994327'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/7042414250618994327'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/2009/10/parabellum_10.html' title='A PARABELLUM'/><author><name>Mau Lear</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15677355814500837177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/StDXjbgCi2I/AAAAAAAAAIA/7SgcjspVth0/s72-c/Parabellum.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6789702253270593598.post-3173548157560312705</id><published>2009-08-10T07:28:00.000-07:00</published><updated>2009-08-10T07:48:24.602-07:00</updated><title type='text'>O carro Suzuki 500 e a Aqua Velva</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/SoAyvTeLPZI/AAAAAAAAAH4/AupZyLxd0mA/s1600-h/Indon.exemplar.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 188px; FLOAT: right; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5368346544087711122" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/SoAyvTeLPZI/AAAAAAAAAH4/AupZyLxd0mA/s200/Indon.exemplar.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/SoAwwEHmLdI/AAAAAAAAAHw/0aWlM24N6Tg/s1600-h/Indon.exemplar.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Foi no mês de Fevereiro ou Março do ano de l975 que comprei a uma professora do Liceu de Dili, um automóvel de dois lugares com um motor a dois tempos, da marca Suzuki e com uma cilindrada de 500 c.c.. Era como se fosse uma motorizada toda fechada por uma bonita e bem desenhada carroçaria, de pintura metálica. Era o único carro desta marca em Dili e também o único que eu vi em toda a minha vida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Com o Golpe anti-comunista de 11 de Agosto, tudo se modificou e ao deixar Dili em direcção a Atambua, onde fiquei uns meses como refugiado, tive que o abandonar, em frente de minha casa. Regressei a Dili no dia 1 de Janeiro de 1976, procurando família de quem não tínhamos notícias e por motivos imprevistos, não pude regressar a Atambua, como era a minha vontade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Procurei no sítio onde tinha deixado o pequeno carro, mas nem rasto de pneus havia no chão, e pensei que tivera o mesmo destino de dezenas de viaturas que embarcaram nos barcos de transporte de tropas em direcção de Jakarta.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Um dia numa das ruas desertas de Dili, para meu espanto, vi a pequena viatura rolando, guiado por uma mulher Indonésia que estava a Administrar o Hotel Resende e o Hotel Dili, em nome dos Generais, tubarões do Exército Indonésio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Desloquei-me então ao comando das forças Indonésias e onde fui recebido por um Major. Expliquei-lhe em Inglês aquilo que pretendia e o mesmo, mostrou-se compreensivo, mas comentou no seu péssimo Inglês, que a viatura estava requisitada para fins militares e que quando não precisassem dela a devolveriam. Insisti com ele de que eu precisava da viatura. Por fim fez-me uma proposta de venda. Dar-me-ia dois sacos de arroz (cerca de duzentos quilos) como pagamento pelo carro, mas vendo a minha indignação, para me acalmar prometeu ir falar com o Comandante e que depois me informava da decisão deste.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Convencido que ali não resolveria o problema a meu favor, resolvi fingir que aceitava a sua resolução e quando me despedi, o Major na intenção de me cativar disse:&lt;br /&gt;- Gosta de vinho? – E continuou: - E que eu tenho ali vinho. Já bebi uma garrafa, mas francamente não gostei porque sabe mal. Se quiser eu ofereço-lhe.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Dito isto, entrou naquilo que me pareceu ser o seu quarto e voltou com uma caixa com doze garrafas de Aqua Velva azul, onde letras pequenas por debaixo do nome do produto diziam “After shave”. Como numa pequena vingança, em nome da minha frustração, respondi:&lt;br /&gt;- Você não gosta? Eu quero, dê cá. Mas olhe que este vinho é um dos melhores do mundo e muito caro. – O bom do Major quando ouviu dizer que era muito caro, rapidamente voltou a trás com a oferta e pôs a caixa de Aqua Velva, de novo, a salvo dentro do seu quarto. Nesses momentos eu aproveitei para dizer, enquanto saia rapidamente do seu gabinete: &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;- Continue bebendo que um dia há-de gostar.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;mco&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;in "retalhos de uma vida em Timor"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6789702253270593598-3173548157560312705?l=timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/feeds/3173548157560312705/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6789702253270593598&amp;postID=3173548157560312705&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/3173548157560312705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/3173548157560312705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/2009/08/o-carro-suzuki-500-e-aqua-velva.html' title='O carro Suzuki 500 e a Aqua Velva'/><author><name>Mau Lear</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15677355814500837177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/SoAyvTeLPZI/AAAAAAAAAH4/AupZyLxd0mA/s72-c/Indon.exemplar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6789702253270593598.post-5833619780373684603</id><published>2009-07-30T03:23:00.000-07:00</published><updated>2009-07-30T03:29:18.515-07:00</updated><title type='text'>UMA PESCARIA EM UÉ SUSSUK</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/SnF139S8hWI/AAAAAAAAAHg/M0Xj0iKv-lM/s1600-h/309195247_6752646b94.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5364198235382252898" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/SnF139S8hWI/AAAAAAAAAHg/M0Xj0iKv-lM/s320/309195247_6752646b94.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O local foi limpo e foram feitas pequenas barracas de bambu, cobertas de folhas de coqueiro, que fechavam também as paredes. Dentro desses pequenos quartos fizeram um lantém, cama, em bambu aberto e espalmado, onde se podia descansar e dormir à noite. Foram feitos dez quartos desses dentro da mata e mesmo na beira da lagoa e esse local escondido, só encontrava quem entrasse dentro do arvoredo. João limpou a sua barraca da lua-de-mel, a uns cem metros do local e onde ele tencionava ficar com Catarina. Depois de tudo estar pronto, na noite anterior João e mais alguns homens foram caçar veados e porcos-bravos, mas a carne teve que ser seca ao sol da praia, pois que o peixe encontrado, não deixava lugar a que a carne fosse consumida. Depois da chegada dos convidados que foram divididos pelas casinhas, começou a abertura da água do coilão. Os homens cavaram um cano perto do lago e quando a água começou a abrir sozinha, caminho em direcção do mar, todos se afastaram para longe, deixando que a força da água que se encontrava aprisionada empurrasse para o oceano toda a areia que se opunha à sua libertação. A enxurrada do líquido represado tornou num canal de quase cinco metros de largura, o que fora um pequeno cano da largura de uma enxada.&lt;br /&gt;O estrondo do rebentar da areia, foi semelhante ao tiro de um canhão e a água saltou, levando com ela toneladas de areia, enquanto se misturava em espuma, com areia e lama, deixando um rasto da cor de café com leite, nas límpidas águas do Taci mane. Estava aberta a lagoa, e em seguida seria a pescaria.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Nos requebros da mítica Timorense nada do que tinha sido feito, ou seja a abertura do coilão e a subsequente apanha de peixe e outros crustáceos, seria possível, se na noite anterior, o Liurai de Alas, sozinho, na areia, entre as águas do mar e as do lago, não tivesse evocado os antepassados e os ancestrais avós representados no presente pelo crocodilo, pedindo-lhes que eles não tapassem a passagem e deixasse que a água do lago escoasse para o mar. Nessa noite afirmavam, os crocodilos grandes tinham saído a coberto do negrume e tinham desaparecido nas águas do oceano. Os poucos que tinham ficado eram ainda ineptos para afrontarem, as profundas e traiçoeiras águas do mar, mas ainda capazes de serem os guardiões das águas daquele coilão. De manhã, depois de a água ter saído para a imensidão do oceano, o Liurai com pecíolos da folha da palapeira em forma de pulseira, nos pés e nas mãos e também a fazer de cinto, entra na água da lagoa e vai Hamulak, rezando e explicando ao avô Lafaek que segundo o tratado entre os seus maiores, o povo não o atacará, como ele não poderá atacar o povo e o Liurai vai andando sempre, muito devagar, até chegar ao meio do coilão com água pelo peito. Aí pára e depois de breves instantes, sempre rezando, segue até ao outro lado da lagoa, de onde volta sempre a rezar para o sítio de onde partiu. Chegar ao fim são e salvo, quer dizer que as suas rezas foram aceites pelos “Avós” e então todo o povo especialmente as mulheres entram nas águas com os tais presos na cintura com um cinto de folha de palapeira, e os seios desnudos e nas mãos o dahir, rede de apanhar camarão, que é uma rede cónica fechada na base, colocada numa armação de madeira ou cana dobrada em forma de círculo. As mulheres agarram a rede com as duas mãos e usam-no, fazendo o suru boek, que quer dizer tirar o camarão da água, enquanto os homens usam o dai, tarrafa, que é uma rede maior e com chumbos nas pontas e de forma circular, que é lançada, aprisionando os peixes.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Catarina ficou estupefacta, quando viu o Liurai de Alas dentro de água e se lembrou dos crocodilos que vira em Ira Bere. Ainda que tivesse visto que nada acontecia, quando as outras mulheres a chamaram para ir com elas, Catarina preferiu ficar com o marido. De vez em quando alguma mulher dava um grito, notando-se de seguida uma turbulência nas águas. João explicou-lhe que aquele agitar das águas tinha sido feita pela passagem de um crocodilo que se encontrava escondido na lama e que fora pisado pela mulher. Mesmo assim Catarina abanava a cabeça, não acreditando no tal acordo entre o Povo de Timor e os crocodilos, nem que o lafaek fosse o avô ancestral do Timorense. Dois dias foram aproveitados pelo povo para secar no sol escaldante da praia o peixe pescado, que durante bastante tempo seria mais uma fonte de proteínas para todos. A pescaria fora um sucesso e mais uma vez se confirmava que o avô lafaek respeitava o antigo acordo feito entre os seus ancestrais e os antepassados dos habitantes de Timor.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;mco&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;in "Timor na senda do mítico"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6789702253270593598-5833619780373684603?l=timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/feeds/5833619780373684603/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6789702253270593598&amp;postID=5833619780373684603&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/5833619780373684603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/5833619780373684603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/2009/07/uma-pescaria-em-ue-sussuk.html' title='UMA PESCARIA EM UÉ SUSSUK'/><author><name>Mau Lear</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15677355814500837177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/SnF139S8hWI/AAAAAAAAAHg/M0Xj0iKv-lM/s72-c/309195247_6752646b94.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6789702253270593598.post-1297557694042325262</id><published>2009-07-27T03:08:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T03:54:42.182-07:00</updated><title type='text'>UMA LUTA ÉPICA E IMORTAL</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/Sm2HYTFUTqI/AAAAAAAAAHY/4nuy-tv6cac/s1600-h/guerrilha.bmp"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; FLOAT: left; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5363091582777314978" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/Sm2HYTFUTqI/AAAAAAAAAHY/4nuy-tv6cac/s200/guerrilha.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/Sm2EurLbB-I/AAAAAAAAAHI/WlS95ljhLGc/s1600-h/guerrilha.bmp"&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;Ao entardecer avistamos em baixo a povoação que estava toda queimada. Os meus dois tios apareceram para nos acompanhar. No meio do mato, começaram a aparecer corpos caídos cheios de sangue, de homens, mulheres e crianças. Os mais velhos faziam o possível para taparem dos nossos olhos, de todo aquele espectáculo de barbárie. Corpos retalhados de crianças como nós, jaziam pelo chão em grotescas posições, qual dança macabra num inferno de Dante. Ao entramos na povoação agora reduzida a cinzas, choros e gemidos, misturavam-se com o uivar dos cães num entardecer demoníaco. As mulheres perante este quadro de miséria e destruição abraçavam-nos chorando, com que querendo esconder dos nossos horrorizados pequenos olhos toda esta desgraça. Não sei dizer ao certo quantos mortos estariam naquele local, mas seriam certamente algumas dezenas.&lt;br /&gt;Os homens encaminharam-nos para fora deste pesadelo, montanha abaixo na direcção da ribeira de “Cumain”.&lt;br /&gt;Descemos sem ver o caminho a pique, como se este fosse plano e sem obstáculos, descemos até parar dentro de água e aí caímos sem forcas nem vontade de abrimos os olhos que tinham vindo fechados desde cima.&lt;br /&gt;Todos chorávamos de raiva e frustração. O meu coração batia desenfreadamente, numa vão tentativa de sair pela boca. A pouco e pouco a água fria e turva da ribeira, foi-nos acalmando e então o medo, o verdadeiro e horrível medo, penetrou-me até à alma. Ainda hoje guardo na mente, esse bacanal de morte e destruição.&lt;br /&gt;Os tios e avós foram-nos aquietando e levaram-nos para umas grutas feitas nas rochas – Fatuk Ku’ak – que estavam escondidas por uma vegetação espessa. A entrada era uma fresta na rocha, não sendo visível de parte exterior, porque estava muito bem camuflada.&lt;br /&gt;Eram duas grutas grandes, onde a temperatura era menos agreste que no exterior e onde encontramos pela primeira vez, depois de algumas noites a dormir dentro de agua, um chão seco para podermos descansar. As mulheres preparam o local, para ser o mais cómodo possível e os homens montaram guarda lá fora.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/Sm2F5HN6-OI/AAAAAAAAAHQ/lDUcu1cW9ek/s1600-h/timor2.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 200px; FLOAT: right; HEIGHT: 199px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5363089947504605410" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/Sm2F5HN6-OI/AAAAAAAAAHQ/lDUcu1cW9ek/s200/timor2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;A noite decorreu cheia de sonhos agitados, em que tudo se confundia num torvelinho de cheiro de sangue, cabeças e pés levados pelos ventos numa enorme angústia e desespero, quando acordamos, acordamos quentes e com fome. Os homens, ainda de madrugada tinham partido, subindo de novo a montanha, com a missão de enterrar os mortos. Não podíamos fazer barulho nem sequer sair para fora da gruta.&lt;br /&gt;Um dia de descanso foi uma bênção para as nossas pernas e pés. A minha irmã Amena fez-me um curativo com mezinhas caseiras, feitas à base de folhas trituradas e “ai Kulit” - cascas de árvores – e eu senti-me muito melhor. A minha mãe, continuava muito doente, cheia de febre e com muitas dores, que a obrigavam a levar as noites sem dormir e a delirar. Eu passei a ficar junto dela, assim como a avó. Ela que antigamente era tão alegre, agora estava sempre triste, pouco falava e chorava às escondidas.&lt;br /&gt;Estivemos escondidos nesta gruta, muito tempo, julgo que quase duas semanas. Só à noite podíamos sair sempre em pequenos grupos acompanhados pelas mulheres e aproveitávamos para tomar banho na ribeira, mas sempre em silêncio.&lt;br /&gt;Os tiros que se ouviam ao longo começaram a rarear, assim com o bombardeamento feito sobre Aileu. O meu avô, resolveu que seria altura de nos deslocarmos deste local para as montanhas de Turiscai, onde, pensava ele, estaríamos mais seguros.&lt;br /&gt;Um dia, depois de quase duas semanas de descanso, foi quase com alegria, que os miúdos saíram para fora da toca, para uma nova caminhada. O tempo continuava chuvoso, mas agora o sol de vez em quando, teimosamente rompia a cerrada neblina, numa tentativa de aquecer, com os seus raios luminosos a natureza enregelada. Começámos a andar na direcção da nascente da ribeira de Cumain, sempre dentro do mato e com mais precaução do que antes. O caminho era sempre subir e nós progredíamos muito devagar porque não andávamos por caminhos feitos, mas a corta-mato. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;mco&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;in "A história de uma menina de Timor ou como Bui Terssa descobriu o mundo"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6789702253270593598-1297557694042325262?l=timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/feeds/1297557694042325262/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6789702253270593598&amp;postID=1297557694042325262&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/1297557694042325262'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/1297557694042325262'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/2009/07/uma-luta-epica-e-imortal.html' title='UMA LUTA ÉPICA E IMORTAL'/><author><name>Mau Lear</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15677355814500837177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/Sm2HYTFUTqI/AAAAAAAAAHY/4nuy-tv6cac/s72-c/guerrilha.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6789702253270593598.post-8716521202990053623</id><published>2009-07-11T23:26:00.000-07:00</published><updated>2009-07-11T23:48:25.536-07:00</updated><title type='text'>MORREU O IMPERADOR DO MUNDO</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/SlmE8UhlRsI/AAAAAAAAAG4/FAXMsW-hyDc/s1600-h/manuel+C.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 144px; DISPLAY: block; HEIGHT: 152px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357459403570497218" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/SlmE8UhlRsI/AAAAAAAAAG4/FAXMsW-hyDc/s400/manuel+C.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Noutros tempos e sítios, que nunca mais estarão para ele e para mim, disponíveis para os podermos saborear, dizia ele em ar de bazófia “ Hei-de ser o Imperador do Mundo”. Era só prosápia pois que ele nunca foi Imperador do Mundo, mas foi aquilo que é muito difícil de ser em situações como as que ele enfrentou, um HOMEM.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Com ele terminaram os Manueis Carrascalões, pois que o era seu pai, já falecido, o foi seu filho, assassinado ainda menino-HOMEM, tirando-lhe o lugar na vingança sanhuda das drogadas milícias Indonésias. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Por ironia do destino, ele que sempre viveu no limite do perigo, morreu na cama de um hospital por motivos de saúde e idade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Não era meu irmão, mas meu irmão foi. Aliás ele era irmão de todos os que dele necessitavam. Político clarividente e astuto, movia-se nos meandros da política com o saber que lhe vinha da experiência e do ADN da sua existência de mistura de activista anti-Salazar, de seu pai, e do instinto político-nato que todo o Timorense tem, de sua mãe.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Que mais posso escrever?&lt;br /&gt;Se escrever a verdade serei severamente criticado por todos aqueles que o não conheciam. O nome Carrascalão sempre teve um estigma. Antes de conhecer a pessoa, Manuel Carrascalão, pai, já tinha ouvido a história de ele ser um “bombista”. A má fama tinha sido criada por invejas de adversários políticos, e não só, desde que o velho Manuel, pai, fora nomeado presidente da Câmara Municipal de Dili e enveredara no caminho da política local. Na realidade o Manuel Viegas Carrascalão, pai, foi em Portugal secretário-geral da Confederação Geral do Trabalho, fundador da maioria dos sindicatos existentes em Portugal e deportado para Timor por Salazar, por ser anarco-sindicalista.&lt;br /&gt;Em Timor fundou a Associação Comercial e Industrial de Timor, o que lhe trouxe mais inimizades. Mais tarde, quando depois do 25 de Abril, os filhos enveredaram também pela política formando a União Democrática Timorense, os inimigos políticos que agora já eram Timorenses, aproveitam a nódoa que tinha sido derramada por invejas sobre o  seu nome, para criarem slogans como “latifundiários” “colonialistas”etc. etc.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Manuel Carrascalão, filho foi a cima de tudo um HOMEM valente. Sempre disse na cara dos Indonésios, especialmente dos tubarões, aquilo que pensava e dizia-o alto e em bom som, em frente de todos. As vezes que afrontou os altos poderes militares Indonésios, valeu-lhe a morte de seu filho, e de dezenas de refugiados que tinha no seu quintal em Dili. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Entre outros casos em que afrontou o poder militar do opressor, sem armas, foi quando três generais se deslocaram de Jakarta a Dili, para o acalmar por causa da morte de alguns Timorenses que eram seus trabalhadores, ele respondeu-lhes:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;- “Vocês tratam-nos por “Saudara” irmão, mas é tudo mentira. Vocês são Islames e rezam antes de matarem um animal para comerem, mas para matarem um Saudara Timorense, nem depois de ele morto, vocês rezam”.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Ele já foi. Boa Viagem irmão, dá por mim, um abraço ao Manelito&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;mco &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6789702253270593598-8716521202990053623?l=timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/feeds/8716521202990053623/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6789702253270593598&amp;postID=8716521202990053623&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/8716521202990053623'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/8716521202990053623'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/2009/07/morreu-o-imperador-do-mundo.html' title='MORREU O IMPERADOR DO MUNDO'/><author><name>Mau Lear</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15677355814500837177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/SlmE8UhlRsI/AAAAAAAAAG4/FAXMsW-hyDc/s72-c/manuel+C.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6789702253270593598.post-2667550053236459871</id><published>2009-07-05T12:33:00.000-07:00</published><updated>2009-07-05T12:45:22.013-07:00</updated><title type='text'>RAIN NA'IN</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/SlECpS5Lo8I/AAAAAAAAAGw/NWFa5EHtYfU/s1600-h/ID1-GP-Dipto.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 220px; FLOAT: right; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5355064340389798850" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/SlECpS5Lo8I/AAAAAAAAAGw/NWFa5EHtYfU/s320/ID1-GP-Dipto.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;As montanhas e as planícies de Timor estão cheias de seres invisíveis para a maioria dos mortais, e esses entes influenciam definitivamente a vida dos Timorenses, fazendo parte do mítico que envolve toda esta ilha encantada.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;Esses seres invisíveis que tem o nome de Rai Na’in, são os espíritos donos da terra que tanto se encontram nas árvores seculares que povoam a ilha, como em animais ou pedras e são respeitados e muitas vezes adorados pelo povo simples e ainda animista.&lt;br /&gt;A presença dos “Rai Na’in” nas hortas e campos de cultivo de arroz são uma realidade do quotidiano na vida do agricultor Timorense. Estes espíritos que podem ser bons e maus são homenageados com dádivas pelos camponeses, donos das hortas e várzeas, no intuito de obterem boas colheitas, e no fim da safra como agradecimento pelas benesses recebidas.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;São estes Rai Na’in que vivem nas profundezas das florestas e especialmente naquelas mais impenetráveis onde se escondem, que encarnam animais e povoam as árvores centenárias de grandes dimensões, cujas lianas caindo para o chão com a aparência de longos cabelos, nos dão a sensação de que essas árvores são mesmo moradia desses seres.&lt;br /&gt;Se os agricultores estão estritamente ligados a estes espíritos, que se pode esperar dos caçadores cujas vidas são passadas no meio das florestas, onde caçam especialmente durante as noites escuras? Os animais selvagens saem dos seus esconderijos nessas noites para procurarem o alimento que não podem ter durante o dia. E é nessa escuridão que os caçadores se deslocam pé ante pé, procurando surpreendê-los com as suas flechas ou as suas azagaias.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;Dizem as lendas que em noites de lua cheia os Rai Na'in que encarnam os animais selvagens dançam o tebe, dança tradicional de Timor, em locais para eles sagrados e só ao nascer do sol, tomam de novo a forma desses animais e se despedem até a nova noite de luar.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;mco&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;"in Timor na senda do mítico"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6789702253270593598-2667550053236459871?l=timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/feeds/2667550053236459871/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6789702253270593598&amp;postID=2667550053236459871&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/2667550053236459871'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/2667550053236459871'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/2009/07/rain-nain.html' title='RAIN NA&apos;IN'/><author><name>Mau Lear</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15677355814500837177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/SlECpS5Lo8I/AAAAAAAAAGw/NWFa5EHtYfU/s72-c/ID1-GP-Dipto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6789702253270593598.post-7620007638594616523</id><published>2009-07-05T07:47:00.000-07:00</published><updated>2009-07-05T08:01:01.959-07:00</updated><title type='text'>JOÃO MALI, O CAÇADOR</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/SlC9sS75dyI/AAAAAAAAAGg/FYy5mM5kFOc/s1600-h/Jo%C3%A3o+Mali.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 169px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5354988525638481698" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/SlC9sS75dyI/AAAAAAAAAGg/FYy5mM5kFOc/s320/Jo%C3%A3o+Mali.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="color:#000000;"&gt;A história do caçador João Mali que o livro TIMOR NA SENDA DO MÍTICO descreve, é um ensaio feito pelo autor, no campo fascinante da vida Timorense, seus mitos e temores.&lt;br /&gt;Nele se retrata, além da paisagem de algumas das mais típicas e potencialmente ricas regiões deste país, a simplicidade diária da vida do povo, que por vezes se torna numa complexidade bem camuflada.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;A referência a uma dos mais prementes problemas actuais, a defesa do meio ambiente e do ecossistema, representado pelo Bé Na’in da lagoa de Modo Mahut, que na realidade existe, aliás como felizmente, muitos outros espalhados por esse Timor fora, demonstra bem que muito antes de ao nível Mundial e global esses palavrões tomassem forma, já a organização tradicional da sociedade Timorense dedicava a esses problemas a sua atenção.&lt;br /&gt;A crendice de que se matarmos a tuna, enguia, que existe numa nascente de água faz secar essa nascente, ainda que pareça mentira, é uma verdade incontestada em Timor.&lt;br /&gt;A Lenda de que o crocodilo é o avô do Timorense, é uma outra história que nos faz pensar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Quando se realizam pescarias em zonas infestadas por estes sáurios e depois das rezas dos Bé-Nain, onde é lembrada a aliança feita em tempos imemoriais (lenda) entre o povo de Timor e os crocodilos, o povo entra nessas lagoas a pescar não sendo atacados, são bem o exemplo da simplicidade e complexidade do mítico Timorense.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Se já conhece Timor, ou se por acaso ainda não conhece, o livro “TIMOR NA SENDA DO MÍTICO”, será uma maneira de recordar aquilo que sabe, ou de se envolver na vida quotidiana desse povo, aprendendo a amá-lo e a respeitá-lo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Mau Lear&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6789702253270593598-7620007638594616523?l=timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/feeds/7620007638594616523/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6789702253270593598&amp;postID=7620007638594616523&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/7620007638594616523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/7620007638594616523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/2009/07/joao-mali-o-cacador_05.html' title='JOÃO MALI, O CAÇADOR'/><author><name>Mau Lear</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15677355814500837177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/SlC9sS75dyI/AAAAAAAAAGg/FYy5mM5kFOc/s72-c/Jo%C3%A3o+Mali.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6789702253270593598.post-6259410356029355600</id><published>2009-06-07T04:11:00.000-07:00</published><updated>2009-06-07T13:48:02.276-07:00</updated><title type='text'>Akam e a gasolina</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/SiwnRYPenBI/AAAAAAAAAF4/pClD5xGVSto/s1600-h/bid%C3%B5es.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 163px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5344690037300567058" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/SiwnRYPenBI/AAAAAAAAAF4/pClD5xGVSto/s320/bid%C3%B5es.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#000000;"&gt;Nos primeiros tempos de 1976 em Dili, tudo escasseava, desde os alimentos a outros produtos que não sendo de certo modo de primeira necessidade, eram aqueles que poderiam fazer a vida andar mais para a frente vencendo a feição de impasse que a guerra trouxera ao país. A gasolina era um desses produtos. Ela era estritamente militar, e se não fosse a corrupção existente na organização daquela instituição a história de Timor, seria hoje, porventura, um pouco diferente.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Depois deste pequeno intróito, devo explicar, para poder continuar a história, quem era o Akam. Não sei ao certo o seu verdadeiro nome, mas era indivíduo chinês proveniente talvez de Macau, que tinha por profissão mecânico, e já no tempo da Administração Portuguesa, apesar do Exército Português ter uma oficina para os carros militares, muitos eram os que reparavam as suas mazelas na Oficina que tinham o nome de Akam. O seu trabalho fizera a sua oficina prosperar e o seu nome ser conhecido como um bom mecânico.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A sua oficina tinha ficado “limpa” de tudo o que fossem meios que permitissem trabalhos de mecânico, chaves, dezenas delas como de todo o género de ferramentas tinham desaparecido, mas atrás dessas aves de rapina que aproveitaram o saque inicial vieram os grandes interesses, na forma de algum Coronel ou General que logo propunham imunidade como forma de uma sociedade, onde eles sócios, pudessem no futuro ter lucros sem empate de capital e sem trabalho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Akam era flexível, esperto e trabalhador, estas três qualidades fizeram-no renascer das cinzas que tinham ficado do primeiro choque, e em breve se tornava de novo num elemento muito necessário a todos os que tinham viaturas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Gasolina, ele sempre tinha alguma para “desenrascar” os “amigos”. De onde ela vinha era mistério. Mas se os grandes tinham meios de esmifrarem umas rupias, os mais pequenos, usavam de um pouco de mais inteligência, por terem menos poder.&lt;br /&gt;Um dia de manhã estava eu na oficina do Akam, onde fui atestar de gasolina “mistério” o pequeno “Mini-Moke” que fazia o trabalho de abastecimento do Hotel Turismo, quando um camião do Exército entrou no espaço da oficina e dois militares procuraram o pequeno chinês e o levaram para o seu gabinete. Depois de largo tempo a discutirem eles saíram contando um maço de notas e fizeram sinal a dois militares que se encontravam em cima do carro para descarregarem uns dez ou doze bidões que se via serem de gasolina. Depois do trabalho feito o carro desapareceu rua fora. O Akam tinha mais um carregamento de combustível “mistério”.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ainda o pessoal da oficina não tinha começado a arrumar os bidões de gasolina, nem a viatura que vendera o combustível teria chegado ao fim da rua, já um Jeep da Polícia Militar entrava no recinto seguido por um camião vazio. Só as boinas eram diferentes. Umas azuis da P.M. e outras castanhas dos vendedores. Os militares do camião, sem uma palavra sequer, começaram a meter de novo os bidões de gasolina dentro da viatura. O espoliado Akam bem protestava de que ele tinha comprado a gasolina, mas a posição dos Polícias Militares era inflexível: “Esta gasolina é da tropa e não pode ser vendida! Se quer o dinheiro de volta vá pedi-lo a quem lha vendeu ” e sem mais lá foram, vender de novo o combustível “mistério” para outro qualquer, que caísse na esparrela.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;"in retalhos de uma vida em Timor"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;mco&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6789702253270593598-6259410356029355600?l=timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/feeds/6259410356029355600/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6789702253270593598&amp;postID=6259410356029355600&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/6259410356029355600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/6259410356029355600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/2009/06/akam-e-gasolina.html' title='Akam e a gasolina'/><author><name>Mau Lear</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15677355814500837177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/SiwnRYPenBI/AAAAAAAAAF4/pClD5xGVSto/s72-c/bid%C3%B5es.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6789702253270593598.post-3234832257553400158</id><published>2009-06-05T14:03:00.000-07:00</published><updated>2009-06-05T14:29:52.559-07:00</updated><title type='text'>Bei Kassa e o Lafaek-assu</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/SimJGMamA2I/AAAAAAAAAFg/Ge_NlS8_1A8/s1600-h/images+z.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/SimMLPIy-BI/AAAAAAAAAFo/GnA61-MaKO8/s1600-h/images.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 237px; FLOAT: right; HEIGHT: 158px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5343956557521680402" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/SimMLPIy-BI/AAAAAAAAAFo/GnA61-MaKO8/s400/images.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;Por meados do ano de l970, alguém me disse um pouco a medo: - Na planície mora um velho caçador de crocodilos que o pode ajudar a resolver o problema. Com ele o bicho mais bravo nem se mexe. O senhor possivelmente não acredita, mas mande-o chamar!&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;O velho veio. Era muito baixo e bastante velho com as pernas arqueadas todas marcadas de profundas cicatrizes de dentes de crocodilo, notava-se que tinha sido abocanhado pelo menos umas quatro vezes, e os dentes marcados na sua carne eram muito maiores que os dentes do pequeno Lafaek-assu. Era natural de Viqueque, mas morava havia muito tempo na planície de Fatu Berliu. Chamava-se Bei Kassa e depois de ver o animal, sorriu e pediu uma corda.&lt;br /&gt;O animal estava deitado fora da água perto de uma pequena árvore, parecia dormir. Bei Kassa segurou na corda de prender cavalos e entrou na cerca. Eu queria acreditar de que, o lógico iria acontecer, ou seja o ataque do réptil, mas ele continuava dormindo de olhos fechados ignorando pura e simplesmente a entrada na sua área de um intruso. Bei Kassa pôs-se de cócoras mesmo ao lado do feroz crocodilo, e este nem os olhos abriu. Então o velho fez o impensável, fez cócegas debaixo do braço do animal e este esticou-o deixando um espaço entre o corpo e o chão. Nesse espaço o velho caçador enfiou uma ponta da corda que levava consigo, e deixou que o corpo baixasse de novo com a corda colocada por de baixo dele. Seguidamente repetiu o feito do outro lado. De novo as cócegas fizeram o braço se esticar, funcionando como um macaco mecânico, e levantando o corpo do outro lado. Depois foi fácil, ele meteu a mão por debaixo do corpo do animal e puxou a ponta da corda que já lá se encontrava e atou-a por cima da cabeça do animal, da mesma maneira como se prende um cão, e a outra ponta atou-a solidamente à arvore e depois saiu do recinto sem que o animal desse mostras de ter acordado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;Eu estava incrédulo! Tinha visto durante uma série de vezes ele atacar com raiva quem se atrevia tentar entrar naquele espaço, como se percebesse que era um campo só dele e desta vez nem acordara. O velho disse que o pessoal que ia limpar o tanque já podia entrar, e os dois homens que esperavam para fazerem a limpeza entraram. Foi a corda que prendia o animal que evitou o ataque furioso do bicho. Bei Kassa entrou de novo e o crocodilo ficou de novo calmo e deitado como se dormisse. Depois de tudo limpo e de ter sido posto um tampão que podia ser aberto por meio de uma corda os homens saíram e Bei Kassa tirou a corda que segurava o animal saindo do local. Quando o velho caçador já estava longe o crocodilo deu um salto e desapareceu dentro de água, de onde não saiu durante dois dias.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;Em conversa como velho caçador tentei perceber o que se passara e ele disse-me que possuía um segredo que vinha do seu avô e que quando ficava perto desses animais eles ficavam com medo dele.&lt;br /&gt;Todas as vezes que tinha sido atacado, isso acontecera porque os crocodilos que o tinham atacado eram crocodilos que tinham vindo do mar, de fora de Timor e que mesmo assim o morderam e depois fugiram sem o matar. Em primeiro lugar não podemos ter medo pois os animais detectar logo isso, depois existem folhas e frutos com poderes mágicos que os fazem recuar. Dissera-lhe seu avô que quando os povos de Timor tinham feito o acordo de respeito mútuo e de não agressão entre eles e os crocodilos, a quem o povo trata por Bei, avô, tinham comido juntos, certos frutos e folhas para selarem esse acordo. E continuou: - Se nós usarmos esses frutos e folhas, eles lembram-se do acordo e não nos atacam.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;Não podia acreditar na última parte da lenda dos crocodilos e do povo de Timor, mas aquilo que eu tinha visto teria de ter uma explicação. Disse-lhe então que todas as vezes que fosse preciso limpar o tanque eu teria de o chamar. Ficou calado, talvez pensando na chatice que isso era e depois de algum tempo disse-me: - Eu volto cá no próximo bazar, (ou seja no Domingo seguinte) e depois resolvemos o problema.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;Ele cumpriu o prometido, encontrei-o do mercado e ele trouxe um embrulho feito de folhas de bananeira. Mais tarde perto do local do tanque onde o crocodilo apanhava sol ele disse-me que me trouxera um fruto e algumas folhas que fariam o Lafaek ficar sossegado. Como viu a descrença na minha cara, ele entregou-me o embrulho e aproximou-se do local onde o crocodilo se encontrava, e quando este o ia atacar ele saiu de novo. Disse-me então para eu lhe entregar o embrulho. Com ele na mão entrou de novo dentro da cerca e o animal nem se mexeu. Depois disse-me para eu entrar com o embrulho e também desta vez o crocodilo fechou os olhos e fingiu dormir. Bei Kassa disse então: - Sem medo faça cócegas debaixo do braço. – Era para ele era fácil dizer. Dominando-me fiz o que ele disse e de novo o animal levantou o corpo por ter estendido o braço. Convencido saí e guardei o que ele me tinha trazido, ouvindo a última recomendação dele: - Não dê, nem mostre isso a ninguém!&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;Depois disto nunca mais o vi.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;"&gt;"in Retalhos de uma vida em Timor"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:78%;"&gt;mco&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6789702253270593598-3234832257553400158?l=timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/feeds/3234832257553400158/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6789702253270593598&amp;postID=3234832257553400158&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/3234832257553400158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/3234832257553400158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/2009/06/bei-kassa-e-o-lafaek-assu.html' title='Bei Kassa e o Lafaek-assu'/><author><name>Mau Lear</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15677355814500837177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/SimMLPIy-BI/AAAAAAAAAFo/GnA61-MaKO8/s72-c/images.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6789702253270593598.post-7416217209082135027</id><published>2009-05-25T14:23:00.000-07:00</published><updated>2009-05-25T14:36:43.899-07:00</updated><title type='text'>Macau de 1966</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/ShsOLBXkjsI/AAAAAAAAAFY/JJCN9IR_Ai4/s1600-h/baia-hong-kong-vista2.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 200px; FLOAT: right; HEIGHT: 133px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5339877365686505154" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/ShsOLBXkjsI/AAAAAAAAAFY/JJCN9IR_Ai4/s200/baia-hong-kong-vista2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;Chegámos a Hong Kong já o sol tinha baixado no Horizonte. A confusão de luzes fixas e aquelas que acendiam e apagavam estimulam um ambiente de antagonismo. Os milhentos luzeiros coloridos, de anúncios e outros, que fazem daquele lugar um presépio, espalham-se montanha acima, reflectindo-se nas águas escuras da baía num espectáculo, talvez único no mundo. Os anúncios de cores berrantes onde o vermelho sobressai, parecem pregados num fundo negro que só de dia sabemos ser uma montanha. Por outro lado, se os nossos sentidos visuais conseguem abranger de uma forma geral tudo o que nos rodeia, o nosso cérebro dificilmente cataloga essa miscelânea que por serem cores, nos confundem e que por serem luzes nos atraem. Ali fiquei na amurada do barco, no meio da escuridão olhando extasiado aquela explosão de luz e cor que me encandeava e me não deixava descansar. Que se passaria para lá daquela cortina de luz? E a minha mente perversa soltava-se e deleitava-se pensando em mulheres de olhos de amêndoa dançando com os seus longos vestidos de seda natural, que as tapavam até ao pescoço, mas cujas rachas deixavam em liberdade as suas longas e sensuais pernas.&lt;br /&gt;De manhã acordei com o barco a deslocar-se suavemente. Saí do meu camarote, na esperança de novo desfrutar algo de diferente. Na verdade tudo era novo para mim e desde os juncos que atravessavam a baía num tráfico caótico até à cor das águas do porto que se me não falha a memória era o Victoria Harbour, tudo era diferente da noite anterior. Toda a magia das luzes tinha desaparecido, e no seu lugar uma névoa cobria a manhã desta cidade. O paquete deslocava-se muito lentamente, naquela água cor de café com leite, por entre toda esta discrepância, do ontem e do hoje, da noite e do dia, indiferente aos sentimentos dos novatos que não compreendem que de noite “todos os gatos são pardos” e se admiram quando de dia os encontram com cores diferentes.&lt;br /&gt;O Oriente ali estava em tudo o seu esplendor. Um mar juncado (acho que a palavra vem do nome dos barcos) de Juncos e outras pequenas embarcações que servem de habitação a uma multidão que ali nasce e cresce multiplica-se e morre. Esta é verdadeiramente uma população flutuante, primeiro porque em qualquer altura se deslocam para outras paragens e segundo porque flutuam sobre as águas do cais.&lt;br /&gt;Por entre ilhotas cujas costas caíam abruptamente sobre o mar, forradas de um luminoso verde, relva de jardim e no espaço de pouco mais de uma hora, chegámos a Macau. A travessia do estuário do rio das Pérolas a que também dão o nome de Mar Lingdingyang faz a ligação entre Macau e Hong Kong que se situam nas extremidades opostas deste delta. O nome dado pelos Portugueses a este Território foi o de Cidade do Nome de Deus, mas se este não perdurou. A deturpação do nome de uma Deusa Chinesa cujo templo se encontrava virado para a Baía definiu para sempre o nome da cidade. O templo da Deusa A-MÁ que se encontra na baía, GAO em chinês, terá dado o nome de A-MÀ GAO (a baía de A-MÁ) que terá evoluído para o nome de Macau. Em todo este percurso através dum emaranhado de ilhas cruzámo-nos com ferries que fazem o transporte de passageiros de Macau para Hong Kong e os rápidos Jet-foils ou hidrofoils que em vinte minutos fazem uma travessia que outro barco qualquer fará em nunca menos uma hora.&lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;in "retalhos de uma vida em Timor"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;mco&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6789702253270593598-7416217209082135027?l=timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/feeds/7416217209082135027/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6789702253270593598&amp;postID=7416217209082135027&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/7416217209082135027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/7416217209082135027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/2009/05/macau-de-1966.html' title='Macau de 1966'/><author><name>Mau Lear</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15677355814500837177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/ShsOLBXkjsI/AAAAAAAAAFY/JJCN9IR_Ai4/s72-c/baia-hong-kong-vista2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6789702253270593598.post-200542255791390329</id><published>2009-05-08T01:58:00.000-07:00</published><updated>2009-05-08T02:13:03.984-07:00</updated><title type='text'>A HISTÓRIA DE UMA MENINA DE TIMOR OU COMO BUI TERSSA DESCOBRIU O MUNDO</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/SgP3GRy0PkI/AAAAAAAAAFI/3vE7LaTaggU/s1600-h/Sem+t%C3%ADtulo+NNN.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333378070964616770" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 175px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/SgP3GRy0PkI/AAAAAAAAAFI/3vE7LaTaggU/s200/Sem+t%C3%ADtulo+NNN.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;A pedido do autor dá-se conhecimento da publicação do livro com um tema sobre TIMOR que é a história de Bui Terssa “Uma menina de Timor” igual a tantas outras, que viveram e morreram durante a ocupação Indonésia. Algumas delas como a Bui Terssa puderam sobreviver para contarem as suas aventuras, apesar de todo o sofrimento e tortura por que passaram. Outras, como as suas irmãs, nunca mais voltaram. Os testemunhos de sofrimentos e ultrajes a que foram submetidas e as suas tristes histórias perderam-se na névoa do ignoto. Prefácio de Xanana Gusmão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publish Date April 26, 2009 08:54 PDT&lt;br /&gt;Dimensions &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.blurb.com/my/learn_more/books"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;B/W Text&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt; 174 pgs&lt;br /&gt;Category &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.blurb.com/bookstore/category/Romance"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;Romance&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Tags &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.blurb.com/tags/TIMOR" rel="tag"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;TIMOR&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6789702253270593598-200542255791390329?l=timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/feeds/200542255791390329/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6789702253270593598&amp;postID=200542255791390329&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/200542255791390329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/200542255791390329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/2009/05/historia-de-uma-menina-de-timor-ou-como.html' title='A HISTÓRIA DE UMA MENINA DE TIMOR OU COMO BUI TERSSA DESCOBRIU O MUNDO'/><author><name>Mau Lear</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15677355814500837177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/SgP3GRy0PkI/AAAAAAAAAFI/3vE7LaTaggU/s72-c/Sem+t%C3%ADtulo+NNN.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6789702253270593598.post-1964154123529003216</id><published>2009-04-15T04:36:00.000-07:00</published><updated>2009-04-20T10:49:43.930-07:00</updated><title type='text'>João Mali o caçador</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;Enquanto a sua casa não estivera pronta, João e o tio tinham ficado em casa do &lt;em&gt;Liurai&lt;/em&gt;. Aí ele já notara os olhares incendiados da rapariga, mas ele sempre evitara qualquer contacto, pois que apesar de ela ser bonita, ele não queria problemas e tinha mais duas razões para isso. A primeira era a imagem de Maria que ainda não lhe saíra do pensamento, a segunda era aquilo que o&lt;em&gt; Liurai&lt;/em&gt; lhe tinha dito de o considerar como se um filho fosse. O tio sempre atento, tinha compreendido tudo desde o começo e antes de voltar, recomendou-lhe cuidado com o que poderia acontecer, se ele não evitasse problemas com a Mariana.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Uns dois dias depois de &lt;em&gt;Lei Cassa&lt;/em&gt; ter regressado para a sua casa, João dormia, ainda o sol não aquecia o orvalho da noite, e os galos cantavam a medo, com voz de cana rachada. Mariana chegou com um prato de &lt;em&gt;koirambo&lt;/em&gt;, um doce Timorense feito de farinha de arroz, e muito apreciado mas de difícil confecção. A moça chegou, espreitou pela janela do quarto onde João dormia e empurrou a porta que nunca estava fechada, penetrando dentro da casa. João acordou, o que acontecia quando algum barulho fora do normal e ínfimo que fosse, acontecesse, mas fingiu dormir, pois calculou quem fosse. A esperança dele era que ela regressasse sem tentar qualquer aproximação, mas isso foi apenas uma esperança gorada nos minutos seguintes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mariana entrou no quarto de João, com a mansidão de uma borboleta a esvoaçar, sem barulho, como se os pés agora descalços, não tocassem o chão. O seu coração batia acelerado, pois o sangue que fervia nas suas veias parecia querer sair das próprias veias e transvazar palpitante pelo seu peito apaixonado. Ela nunca pensara que um dia teria coragem de ser ela a querer entregar-se de alma e coração a alguém. Por uma pequena fresta do olho que mantinha fechado, João, viu Mariana tirar a blusa que trazia vestida e percebeu tudo o que se passava, na sua mente, a próxima fase seria tirar a lipa, que é um pano que se enrolado em volta da cintura e que faz de saia, deitando-se de seguida na cama.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;João sabia o resto da história de cor e ele não queria problemas. Pensou rápido. Saltou da cama com uma faca que estivera oculta debaixo do chumaço, na mão. O grito que saiu da sua garganta faria gelar de medo qualquer ser humano e quebraria a valentia de qualquer atacante feroz. Mariana deu um passo à retaguarda. O seu rosto inicialmente vermelho de excitação, tornou-se em segundos branco como a cal, e o seu coração quase parou de terror.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Num ápice, João que saltara para o chão, já estava de novo em pé em cima da cama, olhando com aspecto de doido em direcção de Mariana. Esta agarrou na blusa, que tinha deitado para chão e saiu disparada porta fora, saltou os três degraus da escada e perdeu-se no meio do capim que ladeava o caminho para sua casa. João teve pena dela, mas principalmente teve pena dele próprio por não poder fugir à maldição que tinha caído sobre ele e que fazia com que as raparigas fizessem dele não o conquistador, mas o ente a ser conquistado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;Nessa manhã João preparou, alguma carne seca e &lt;em&gt;batar uut,&lt;/em&gt; que é o milho feito em pó depois de ter sido torrado e que muitas vezes se mistura com amendoim ou coco também ralado. Este preparado é tradicionalmente o farnel de viagem do Timorense, juntou-lhe o &lt;em&gt;koirambo&lt;/em&gt; que a Mariana tinha trazido, meteu alguns bens mais necessários no &lt;em&gt;kohe&lt;/em&gt;, género de saco, feito com a urdidura da folha de palapeira seca, aprontou também as suas armas de caça, soltou o outro cavalo e saiu com a ideia de só voltar daí a uma semana.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;"&lt;span style="color:#666666;"&gt;in Timor na senda do mítico"&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#666666;"&gt;mco &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6789702253270593598-1964154123529003216?l=timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/feeds/1964154123529003216/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6789702253270593598&amp;postID=1964154123529003216&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/1964154123529003216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/1964154123529003216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/2009/04/joao-mali-o-cacador.html' title='João Mali o caçador'/><author><name>Mau Lear</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15677355814500837177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6789702253270593598.post-3662766775164916940</id><published>2008-12-30T01:15:00.000-08:00</published><updated>2008-12-30T01:26:11.546-08:00</updated><title type='text'>A TODOS QUE AINDA TEM PACHORRA PARA VIREM A ESTE BLOG UM FELIZ NATAL E UM ANO NOVO SEM CRISE</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/SVnnItyJ7tI/AAAAAAAAAD4/_pi0UErNZRw/s1600-h/cart%C3%A3o+de+Natal.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/SVnnItyJ7tI/AAAAAAAAAD4/_pi0UErNZRw/s1600-h/cart%C3%A3o+de+Natal.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5285509774610919122" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 238px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/SVnnItyJ7tI/AAAAAAAAAD4/_pi0UErNZRw/s320/cart%C3%A3o+de+Natal.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/SVnnItyJ7tI/AAAAAAAAAD4/_pi0UErNZRw/s1600-h/cart%C3%A3o+de+Natal.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6789702253270593598-3662766775164916940?l=timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/feeds/3662766775164916940/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6789702253270593598&amp;postID=3662766775164916940&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/3662766775164916940'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/3662766775164916940'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/2008/12/blog-post.html' title='A TODOS QUE AINDA TEM PACHORRA PARA VIREM A ESTE BLOG UM FELIZ NATAL E UM ANO NOVO SEM CRISE'/><author><name>Mau Lear</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15677355814500837177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/SVnnItyJ7tI/AAAAAAAAAD4/_pi0UErNZRw/s72-c/cart%C3%A3o+de+Natal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6789702253270593598.post-441098852286056502</id><published>2008-09-30T09:27:00.000-07:00</published><updated>2008-10-02T10:27:37.480-07:00</updated><title type='text'>A HISTÓRIA VERDADEIRA DE UM CAVALO DE TIMOR</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Uma vez em Lisboa, num transporte público que usava frequentemente porque as posses não davam para outro género de veículo, deparei com dois sujeitos que nunca conheci e a quem não tomei atenção de maior os quais sentados no banco em frente do meu, falavam pelos cotovelos, sobre todos os assuntos do mundo e em todos esses assuntos eles eram, diziam, conhecedores profundos dessa matéria. Eu distraído olhava pela janela do comboio que se deslocava rapidamente na direcção de Sintra, e já ansiava pela minha estação para me ver livre de tanta sapiência em enciclopédias ambulantes, quando ao virarem mais uma folha das suas erudições, chocaram de frente com algo que me pertencia, a minha sabedoria.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Falavam esses dois doutores da mula russa, sobre Timor, sobre aquilo que nessa altura estava a passar, e do eu tinha fugido, tecendo comentários e discutindo sobre assuntos que nem calculavam sequer o que eram. Estive tentado a interromper as falácias com que se digladiavam, mas a boa educação, cortou-me por duas ou três vezes esse desejo, criando em mim uma exasperação que aumentou em muitos graus o stress de tudo o que eu tinha passado nessa longínqua terra. Pensei seriamente em mudar de lugar, para manter o meu equilíbrio psíquico mas depois de ouvir a nova tendência da conversa, tremi, levantei-me quando o comboio parou numa estação ainda longe da minha, e grosseiramente interrompi as suas bacoradas:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Desculpem interrompe-los, sabem que essas pilecas de Timor magras e cheias de moscas, de que vocês estavam falando são na verdade cavalos, e vocês são na verdade burros.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Saí do comboio quando ele já se preparava para arrancar, deixando dois indivíduos com caras de parvos, e mais uns quantos com ar de gozo enquanto eu ficava numa estação desconhecida esperando pelo comboio seguinte para voltar para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje passados uns anos, com o stress próprio da situação vivida já vencido, gostaria de lhes pedir desculpa dessa minha destrambelhada atitude e contar-lhes entre duas cervejinhas, algumas histórias maravilhosas desses nobres animais que nada devem por ser mais pequenos que os cavalos Portugueses, plagiando a famosa frase “Os cavalos não se medem aos palmos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corria o ano de 1966 nas festas do dia de Portugal e na cidade de Dili, tinham terminado as corridas de cavalo anuais feitas no estádio numa pista feito em volta do campo de futebol. E o vencedor foi um magnífico cavalo preto retinto pertença do esquadrão de cavalaria de Bobonaro, em que o seu treinador, gente do Suai tinha posto o nome de Tatoli metan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uns anos depois, já no Suai onde os cavalos são tratados melhor do que em qualquer outro local de Timor fui conhecer um pequeno potro de cor “Akar be’en”, baio escuro, bem proporcionado mas mais baixo que o pai o famoso Tatoli metan. O dono tinha muita estima pelo animal, e estava-o preparando para as próximas corridas. É forçoso dizer que as corridas de cavalo em Timor são, ainda hoje, diferentes das corridas a que normalmente assistimos em outras partes do planeta. Os cavalos correm sem sela ou seja em pêlo, e são montados por crianças de pouco peso, um cavaleiro com vinte quilos é já muito pesado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas voltando ao nosso cavalinho, era um lindo animal com um metro e vinte de garupa o que equivalia a dizer que em termos de classificação para corridas, pertencia à classe D, que era a classe dos cavalos mais baixos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu era um doido pelo animal e quase todos os dias me deslocava até à sua cavalariça para o ver e afagar. A doença dos cavalos vinha já de longe desde o tempo em que comprara um cavalo barrigudo e o pusera a correr numa corrida de Dili. Apesar de ter ficado em último lugar, sendo por isso alvo da troça dos meus amigos não perdi a minha amizade por estes animais, e jurei mesmo que um dia eles iriam engolir as suas gargalhadas.&lt;br /&gt;Neste momento eu tinha uma coisa que julgava não existir em mim, a inveja.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas os tempos mudam e com eles aquilo que as pessoas pensam. Esse meu amigo tinha uma ambição desmedida, e como tinha muito dinheiro, procurava sempre o que de melhor havia. Na região de Atambua a umas horas do Suai, por estradas de buracos e lama, existia um rancho, de Australianos que tinham trazido de lá gado vacum e cavalar, e esse meu amigo convidou-me para ir com ele visitar o local e ver os cavalos que lá existiam. Depois de uma viagem agitada em que foi preciso ultrapassar ribeiras cheias e sem pontes e autênticos mares de lama, fazendo médias como dez quilómetros em duas horas e meia, lá chegamos e valeu a pena.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Enquanto os nossos cavalos tinham no máximo um metro e trinta de altura de garupa aqueles tinham um metro e sessenta o que tirava toda a hipótese aos cavalos pequenos em qualquer corrida. Ele estava nas suas sete quintas e comprou por um preço bastante alto, o equivalente ao preço de quatro cavalos normais, cada um, quatro animais de bom porte e bastante novos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A revolução começou então nas cavalariças desse meu amigo pois os novos cavalos foram ocupar o lugar de alguns, e foram os mais pequenos que mais sofreram as consequências. Em pouco tempo o bem tratado cavalinho estava preso no meio do capim e tinha sido entregue a um chefe de Suco que era primo desse meu amigo. Era a período dos cavalos grandes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Doía-me o coração ver aquele animal preso de qualquer maneira sem o tratamento a que tinha sido habituado, e muitas vezes ia perto dele, para o acarinhar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um dia estava eu sentado perto da minha cavalariça quando vi o chefe do Suco passar de motorizada, e chamei-o. Ele entrou e mostrou-se pesaroso pois o cavalinho estava doente, não comia e tinha uma ferida nas costas que não conseguiam curar. O dono tinha mesmo dado uma pistola para matar o animal, que estava a sofrer muito. Disse isso e mostrou-me a pistola. Fiquei desesperado e pedi-lhe que não mata-se o animal pois eu tinha um remédio, que injectado o mataria sem ser necessário dar-lhe um tiro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Saí imediatamente para casa do meu amigo e disse-lhe o mesmo e ele concordou com a injecção. Depois acrescentei, eu vou buscá-lo e dou a injecção, se morrer era mesmo o seu destino se viver o cavalo é meu. Concordou, porque esse cavalo não tinha cura, disse ele.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Saí disparado e apesar de ser já tarde arranquei em direcção de Atambua onde cheguei já bastante tarde. Eu sabia que possivelmente o cavalinho não tinha cura, mas eu tinha que tentar tudo para o salvar. Comprei um medicamento para a surra doença que ataca o sangue dos animais que acabam por morrer. Eu tinha visto que a parte dos rins estavam inchados e foi a minha essa a minha esperança, se fosse o que eu julgava ele poderia salvar-se.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fiz seis horas de viagem de ida e volta e quando cheguei já passava da meia-noite. Quando cheguei parei o carro perto do local onde ele estava preso com uma corda bastante comprida e o que se seguiu deixou-me muito sensibilizado. Eu estava dentro do carro e ele aproximou-se do mesmo meteu a cabeça pela janela e encostou-a ao meu peito. Eu disse “Belu – amigo - vais ficar melhor”. Eu mesmo dei a injecção e dei-lhe o dobro da dose, pois que o seu estado era mesmo desesperado. Quando tirei a agulha do seu pescoço ele caiu, eu virei as costas e fui para casa. Tinha a consciência de ter feito tudo para o salvar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Deitei-me cansado e triste pelo animal. Não tinha coragem para o ir ver. De manhã acordei cedo a pensar onde iria enterrar o cavalo, mas a minha surpresa foi tão grande como a minha alegria ele estava de pé a comer a relva no sítio onde estava preso. Eu tinha um novo cavalo que morrera à noite e vivera de manhã dei-lhe um nome novo Belu pois lembrei-me da noite anterior quando ele meteu a cabeça dentro do carro, Mate, porque o vi cair como se tivesse morrido, Moris porque vivera novamente. O meu novo cavalo chamou-se BELU MATE MORIS, e foi o nome de um campeão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;“In histórias de Timor”&lt;br /&gt;mco&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6789702253270593598-441098852286056502?l=timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/feeds/441098852286056502/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6789702253270593598&amp;postID=441098852286056502&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/441098852286056502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/441098852286056502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/2008/09/histria-verdadeira-de-um-cavalo.html' title='A HISTÓRIA VERDADEIRA DE UM CAVALO DE TIMOR'/><author><name>Mau Lear</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15677355814500837177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6789702253270593598.post-3291574624050095162</id><published>2008-08-01T15:44:00.000-07:00</published><updated>2008-08-01T15:55:35.288-07:00</updated><title type='text'>EM MEMÓRIA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Joaquim Inês Martins de seu nome e “Cowboy Lino” de alcunha. Nasceu segundo dizia, na Serra da Estrela, talvez na Covilhã, em Portugal. Da família pouco se sabia a não ser a incompatibilidade com seu pai que dizia ser rico. Falava de vez em quando em viagens que fazia conduzindo camionetas pela Europa fora, e se era verdade ou não, seria difícil de saber. Na verdade a sua vocação para a condução de carros de carga e também de motos era patente.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;A alcunha de “cowboy Lino” vinha-lhe precisamente da sua habilidade de andar de moto. Ainda militar punha-se em pé nos patins da sua moto, para fazer continência ao comandante militar quando se cruzava com o seu carro nas ruas de Dili. A sua continência era tão acrobática que foi dispensado, por despacho do próprio Comandante militar de Timor, de lhe fazer continência quando transitasse de velocípede.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Na pacata Dili dos anos 65/66 e seguintes, não haveria certamente ninguém que o não conhecesse. Para ele tanto era homem, o descalço como o calçado, e se tivesse algum problema com alguém, seria só por motivo de algum negócio que não tivesse corrido bem para algum dos lados. Não era um animal político, mas era sim um animal de negócios e de trabalho.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O seu relacionamento com seu pai condicionou de vez a sua vida, e quando chegou a altura de regressar a Portugal, para terminar o seu tempo de tropa, resolveu passar à disponibilidade em Timor. E por lá ficou. Acabou por casar com uma rapariga chinesa de Ermera, e no ambiente de negócios, onde se sentia bem, prosperou, possuindo já duas camionetas de carga e uma casa, quando de um ápice perdeu tudo e perdeu até a própria vida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Sonhei com ele a noite passada e sem dúvida eu teria de escrever algo sobre ele, um verdadeiro mártir da descolonização feita por Portugal, cuja culpa era como dizia o “metan de Taibesse” que se entretinha a chicoteá-lo, quando estava com os copos, “toma lá por seres Cowboy”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Paz à sua alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mco&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6789702253270593598-3291574624050095162?l=timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/feeds/3291574624050095162/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6789702253270593598&amp;postID=3291574624050095162&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/3291574624050095162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/3291574624050095162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/2008/08/em-memria.html' title='EM MEMÓRIA'/><author><name>Mau Lear</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15677355814500837177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6789702253270593598.post-2075746752420879908</id><published>2008-07-12T01:35:00.000-07:00</published><updated>2008-07-12T01:40:58.601-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;O Natal já foi e o Ano Novo também, já passaram mais de seis meses e a inspiração dos nossos colaboradores, morreu, pifou.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Porque eu me oponho ferrenhamente a textos de conteúdo político, torna-se mais difícil que os potenciais escritores, dêem algum contributo para este cantinho.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;A necessidade de dar continuação ao meu blog obriga-me, sem ter a magia da escrita de alguns, a encher este espaço com algo.&lt;br /&gt;Para começar e porque a inspiração por vezes, vagueia longe da minha mente, transcrevo esta modesta pseudo-poesia, pedindo desculpa pela falta de nível da mesma.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Mau Lear&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;PALAVRAS SOLTAS&lt;br /&gt;DE PENSAMENTOS FRUSTRADOS&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz um poema lindo em tempos que já lá vão&lt;br /&gt;Era uma poesia a Timor que me ia no coração&lt;br /&gt;Rezava assim: “...no alto de uma montanha&lt;br /&gt;Montado no meu cavalo alazão!”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Era mais que um poema de amor&lt;br /&gt;Era mesmo uma declaração.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Estou no alto desta montanha, mas estou só&lt;br /&gt;Vem Cai Hirik meu amor, hau hadomi ó&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela era linda,&lt;br /&gt;Seus cabelos negros caíam em cascata de caracóis,&lt;br /&gt;Sobre os seus ombros de lascívia,&lt;br /&gt;Seus olhos negros de azeviche grandes e gulosos,&lt;br /&gt;Não perdiam em beleza com a sua boca&lt;br /&gt;de carnudos e doces lábios,&lt;br /&gt;boca maravilhosa de espontânea e eterna gargalhada&lt;br /&gt;que lhe subia do âmago da sua sexualidade e do seu gosto pela vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda ela era poesia.&lt;br /&gt;A sua pele era rosada e fina, a sua face ficava&lt;br /&gt;Vermelha de excitação, em momentos de delírio,&lt;br /&gt;Quando o prazer lhe punha o sangue em ebulição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela era um vulcão que rebentava em fogo e calor&lt;br /&gt;Com a lava do amor descendo em ondas,&lt;br /&gt;quente e expeça, pelas faldas do seu corpo de marfim. &lt;br /&gt;Então o mundo acabava aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Estou no alto desta montanha, mas estou só&lt;br /&gt;Vem Cai Hirik meu amor, hau hadomi ó.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6789702253270593598-2075746752420879908?l=timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/feeds/2075746752420879908/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6789702253270593598&amp;postID=2075746752420879908&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/2075746752420879908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/2075746752420879908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/2008/07/o-natal-j-foi-e-o-ano-novo-tambm-j.html' title=''/><author><name>Mau Lear</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15677355814500837177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6789702253270593598.post-502331374351950595</id><published>2007-12-18T13:20:00.000-08:00</published><updated>2007-12-18T13:37:36.517-08:00</updated><title type='text'>CARTAO DE BOAS FESTAS</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/R2g59cRF4kI/AAAAAAAAAA0/GRS_qCED9Hs/s1600-h/Mary+Christmas.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5145426301993476674" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 336px; CURSOR: hand; HEIGHT: 221px" height="267" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/R2g59cRF4kI/AAAAAAAAAA0/GRS_qCED9Hs/s320/Mary+Christmas.JPG" width="589" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6789702253270593598-502331374351950595?l=timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/feeds/502331374351950595/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6789702253270593598&amp;postID=502331374351950595&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/502331374351950595'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/502331374351950595'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/2007/12/blog-post.html' title='CARTAO DE BOAS FESTAS'/><author><name>Mau Lear</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15677355814500837177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_eiEbbmIQTbM/R2g59cRF4kI/AAAAAAAAAA0/GRS_qCED9Hs/s72-c/Mary+Christmas.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6789702253270593598.post-5814041582704250756</id><published>2007-12-16T06:12:00.000-08:00</published><updated>2007-12-16T06:34:27.204-08:00</updated><title type='text'>COMO CONSEGUI FUGIR DA GUERRA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Nesta época Natalícia seria talvez mais apropriado um conto sobre o Natal em Timor, mas apesar das estrelas encherem de luz a noite sagrada e as vozes de alguns ainda cantarem as Aleluias ao DEUS menino nascido nas palhas de um curral, a verdade é que sem neve na natureza, apenas no coração de alguns, e especialmente com os campos de refugiados cheios de crianças sofredoras, todos os contos de Natal em Timor serão forçosamente mentira.&lt;br /&gt;Faço por isso uma pequena transcrição de um texto sobre uma cidade de Dili que já se habituou desde longos anos a ser uma terra de sofrimento (Agosto 1975).&lt;br /&gt;Mau Lear&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Saí no lado oposto na ponte de cais, junto do antigo centro náutico, onde extenuado e desgostoso me deitei na areia, sentindo ser impossível alcançar o meu objectivo....................................................................................................................................&lt;br /&gt;O ranger da areia debaixo de pés calçado por grossas botas da tropa acordaram-me sobressaltado. Tentei num movimento instintivo fugir mas logo umas mãos poderosas me alcançaram e num instante fui imobilizado e deitado de novo na areia.&lt;br /&gt;Ainda sem compreender o que se passava nem onde estava, ouvi alguém perguntar em Português correcto o que fazia eu ali deitado. A pouco e pouco o cérebro começou a funcionar e recordei-me então de tudo o que se passara. A escuridão dizia-me que ainda era de noite. De novo me senti arrastado desta vez no sentido vertical e dei comigo com dois militares Portugueses, que me perguntaram outra vez o que fazia eu ali.&lt;br /&gt;Aquela área era, soube mais tarde, área de segurança da residência do Governador Português que se tinha mudado de armas e bagagens para perto do porto de cais, por estratégia, ou por estar mais perto do Ataúro, pensei eu. De qualquer maneira fui bem interrogado pelos pára-quedistas que me tinham aprisionado e que depois de me ouvirem, me prometeram que no dia seguinte eles próprios me iriam levar à ponte de cais.&lt;br /&gt;Pela atitude destes militares, senti que dentro deles existia uma revolta surda por tudo aquilo que se passava em Timor, e tristemente, comentaram que tinham saído da Guiné com o apoio das populações, mas que de Timor teriam que sair debaixo de uma guerra civil que poderia ter sido evitada.&lt;br /&gt;Enfim o “Transatlântico” estava começando a mover-se, devagar, mas com firmeza, na direcção da Indonésia. Acho que eles sabiam disso.&lt;br /&gt;No dia seguinte, pela manhã, depois de abastecido com algumas rações de combate, oferecidas pelos meus captores, fui acompanhado por dois pára-quedistas até ao portão da ponte de cais, aonde grupos armados das duas facções em demanda, se mantinham alerta para não deixarem embarcar líderes e outros responsáveis dos partidos em questão. Por eu ser ainda jovem começaram a por entraves à minha entrada aí, mas a presença dos dois militares Portugueses acabaram por me abrir as portas para eu poder entrar.&lt;br /&gt;Despedi-me dos meus anjos salvadores, com um longo adeus, enquanto eles voltavam para junto da área restrita da nova residência do Governador.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Quanto ao grupo que eu tinha deixado para trás, eles tentaram passar, mas uma das senhoras foi atingida numa perna por uma bala de ricochete, com medo desistiram e teriam voltado, se por acaso a ambulância que transportara a ferida para o hospital militar, os não tivessem transportado também até à ponte de cais.&lt;br /&gt;Como o grupo era composto somente por velhos, mulheres e crianças foram autorizados a entrar e juntaram-se a mim na esperança por melhores dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dili vista da ponte de cais, era uma antítese daquilo que eu tinha conhecido. Os ventos das montanhas circundantes, traziam gemidos e cheiros pútridos de carne queimada e em decomposição. Os ventos de Agosto, traziam pela noite, o hálito acre dos incêndios, aos quais se juntavam os clarões das explosões, dando a sensação de que se iria concretizar as palavras dum dos dirigentes dos partidos em guerra “se for preciso arrasa-se Dili, e edifica-se depois uma cidade de palapa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que mais me horrorizava era sem dúvida os cheiros, principalmente os de putrefacção. Durante três dias não consegui comer nada, pois que o meu estômago negava-se, contorcendo-se em espasmos, a receber qualquer forma de sustento. Nos momentos mais lúcidos da prostração em que caí, os odores traziam à minha mente dorida um passado recente, quando eles, eram habituais para mim. Aí todo o meu ser se agitava, e as minhas entranhas convulsas deitavam fora, somente espasmos, pois que mais nada havia para verter. O esforço deixava-me de novo prostrado.&lt;br /&gt;Eu pensava já não sobreviver à debilidade do meu corpo, mas, eis que vindo do fim imaginário do mar, um ponto negro se dilatou, ficando cada vez maior, até se transformar num navio.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Seria a Nau Catrineta? A minha mente imaginava a história aprendida na quarta classe, da Nau Catrineta e tudo se confundia misturando o real com o ilusório, e eu na minha loucura, rezava, Pai-Nosso, Ave-Maria, Pai Nosso, Ave-Maria, Pai-Nosso, Ave-Maria…&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“in Buan”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mco&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6789702253270593598-5814041582704250756?l=timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/feeds/5814041582704250756/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6789702253270593598&amp;postID=5814041582704250756&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/5814041582704250756'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/5814041582704250756'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/2007/12/como-consegui-fugir-da-guerra.html' title='COMO CONSEGUI FUGIR DA GUERRA'/><author><name>Mau Lear</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15677355814500837177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6789702253270593598.post-8612339963279072986</id><published>2007-11-16T13:28:00.000-08:00</published><updated>2007-11-18T03:55:10.067-08:00</updated><title type='text'>INTRODUCAO</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Esta é uma tentativa para demonstrar ao nosso amigo MAU DICK, que ele não só é bom na rima mas também é homem de boa raça a prosar.&lt;br /&gt;Para todos os outros potenciais escritores que vou continuar a espera, com prosas, lendas ou outros escritos sobre o nosso querido Timor, um conselho:&lt;br /&gt;Tentem escrever aquilo que vos vai dentro da alma e mesmo sem pensar deixem que a caneta corra, comandada pelo pensamento. O fim vai de certeza ser bom.&lt;br /&gt;Experimentem, vai ser surpreendente o resultado dessas tentativas.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Mau Lear&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;RETALHOS DA LEMBRANCA DE UM JOVEM TIMORENSE&lt;br /&gt;POR MAU DICK&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5 de Setembro de 2007 5:12&lt;br /&gt;GERALMENTE ESCREVO POESIA.MAS HOJE E AQUI DECIDI APENAS ENVIAR UM ABRACO A MUITOS IRMAOS TIMORENSES DE 1970-1974, CUJO PARADEIRO DESCONHECO MAS A NOSTALGIA OBRIGA. &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;ANTONIO ALVES &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;GIL LEMOS &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;FERNANDO MASCARENHAS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;JOAO MONTEIRO (DAS VACAS)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;JOAO CARLOS MONTEIRO (PEDUCA)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;ELIAS GONCALVES&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;DOMINGOS OLIVEIRA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;JAIME LACLUBAR&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;ARMANDINA GUSMAO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;ISOLDA RIBEIRO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;"PUERTAS" RIBEIRO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;ORLANDO FRECHES DE SOUSA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;VITOR REBELO "O PEIXEIRO"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;ALMEIRINDO BAPTISTA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E MUITO, MUITOS MAIS...&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;23 de Setembro de 2007 4:09&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Not bad mate.Que tal as partidas de futebol com a bola a perder-se no meio do capim(Jaime Neves)?Que tal os filmes no Sporting?As iscas do Ze do Benfica?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;26 de Setembro de 2007 3:49&lt;br /&gt;Também me lembro da central de tratamento de aguas, dos Neves(x2), dos Noronhas, da Maria do Socorro.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;27 de Setembro de 2007 4:33&lt;br /&gt;Já que estamos em Lahane vou te contar a historia do Sr.Cadaxa.Ele foi apontador das Obras Publicas e necessitava de licença de motorizada (Florete).&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O Sr Mortagua foi o examinador e vai atras dele no dia de exame, Lahane acima.&lt;br /&gt;Ele mete a segunda, terça e quarta mudanças e a moto começa a perder forca. &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Diz o Mortagua: Mete outra ao que ele responde: Já não ha mais!&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E já agora lembro-me do Sr Godinho a caminho do hospital, no minimoke e de marcha atras.Que tal esta?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;3 de Outubro de 2007 5:28&lt;br /&gt;Picou-me o bicho e lembrei-me agora da única tourada que Timor presenciou lá para os lados do matadouro, ao pé da ribeira da Maloa. &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Fez-se uma vedação "a La palapa" e, arranjou-se umas vaquinhas.&lt;br /&gt;Não tivemos o grupo de forcados do Montijo, ou da Moita, tivemos sim meia dúzia de Portugas de barba rija que deram o pira mal as vaquinhas saltaram o cerco.&lt;br /&gt;Desde essa data as coisas melhoram, e, touros não faltam.It's about time to have the second bullfighting.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;3 de Outubro de 2007 5:34&lt;br /&gt;Naquela altura, na Imprensa Nacional de Timor, o Sr Leal estava de saída, e o meu defunto amigo Aleixo Corte Real era a pessoa mais indicada para o lugar.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mas o Cristóvão Santos ganhou a corrida e para que as coisas não ficassem tão mal criou-se uma dupla entre eles. &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Sim lembro-me da Amalia, da Flavia e demais colegas.&lt;br /&gt;Também eu estagiei para ser revisor de provas.&lt;br /&gt;Ainda no outro dia a Nuta escreveu no seu blog sobre esses tempos que já lá vão.Recordações que jamais esquecerei, quer faca chuva ou faca sol.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;3 de Outubro de 2007 5:38&lt;br /&gt;Também passei uns mesinhos nas oficinas de Obras Publicas, na ferrugem, fruto de ter chumbado no segundo ano do ciclo preparatório. &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;No tempo do Srs.Rotario, Antonito Santos, Luís e Raul Filipe, Maukuna e muitos mais amigos. Ces't la vie.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;4 de Outubro de 2007 5:08&lt;br /&gt;E claro que me lembro do Fernando, Francisco, Nelio, Otávio e das raparigas.&lt;br /&gt;A mãe a D. Matilde e o pai Sr. Oliveira, que mais tarde se mudaram para a casa que construíram ao lado de onde era a única farmácia privada (do Sr. Ricardo), não contando com a do Mao Deruk e a do estado onde trabalhava a farmacêutica filha do Sr. Fonseca, (moreninho carregado).&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;No vale moravam os também os Faíscas, entre outros.Havia um cabo português da tropa que se casou com uma moca chinesa, ficou lá a trabalhar na pecuária, que era muito amigo dos Oliveiras. &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O Otávio era o meu mate, especialmente no tempo quando ele namoriscava a Olinda. (filha do falecido trinta cabelos).&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Como vês sou uma enciclopédia pronta a desfolhar.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;4 de Outubro de 2007 5:10&lt;br /&gt;E os Tavares. Lembras-te do Jacaré?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Um Abraço(Estes não pagam imposto)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;6 de Outubro de 2007 4:44&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;De Balide, lembro-me dos Gonçalves (Ana Severina), e do posto de segunda linha ao cantinho, do colégio das madres (mama mia, que recordações), do padre Brito, da família Menezes, dos Santos, dos Ricardos. Dos Macarenhas, foram meus colegas o Fernando, Frederico de Hatolia, dos Gonçalves, o Fernando (o puto filas).&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Do quintal Mascarenhas era o local com mais dedicatórias do programa musica a seu gosto, de que eu preparava os pedidos, escolhia os discos e a minha vizinha vai a praça e não leva vintém, mas na volta trás feijão e massa, algum feitiço a vizinha tem.&lt;br /&gt;Um Abraço&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;(A preço de saldos) &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;9 de Outubro de 2007 4:17&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Arlindo, (Martins) conheci-o ha muitos anos. Irmão da D.Albertina, D.Fernanda e da Lurdes (Baessa) que trabalhava na SOTA, no tempo do Sr.Antero.&lt;br /&gt;Outro era Marcal, condutor dos Serviços de Educação de Timor.&lt;br /&gt;Havia um Arlindo que era monitor escolar, de que não me lembra o apelido.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;12 de Outubro de 2007 6:25&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O outro Arlindo es tu.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Só que eu me fiz de despercebido e tu mordeste a isca desta vez.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Um Abraço Arlindamente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18 de Outubro de 2007 5:30&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;CIRCO MORTO-VIVO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;CONVIDA-SE A POPULACAO EM GERAL PARA PRESENCIAREM NO PROXIMO DIA , O &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;ESPECTACULO DE GALA, INTITULADO "CIRCO MORTO-VIVO".&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O ESPECTACULO, EM DUAS PARTES, FAZEM PARTE "OS ETERNOS PALHACOS",&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E, SERA APRESENTADO PELA PRESTIGIOSA FIGURA "11 CENTIMETROS".&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O ACTO MAIS IMPORTANTE SERA O APARECIMENTO DO MORTO-VIVO "A LA HOUDINE"(SORT OF) &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;TERA LUGAR DO ESTADIO NACIONAL, COM INICIO AS 15HRS LOCAIS.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A ENTRADA E GRATUITA.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;UM ABRACO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;MAU DICK&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6789702253270593598-8612339963279072986?l=timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/feeds/8612339963279072986/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6789702253270593598&amp;postID=8612339963279072986&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/8612339963279072986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/8612339963279072986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/2007/11/introducao.html' title='INTRODUCAO'/><author><name>Mau Lear</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15677355814500837177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6789702253270593598.post-7470857303370796236</id><published>2007-10-08T10:26:00.000-07:00</published><updated>2007-10-08T10:40:03.788-07:00</updated><title type='text'>O INIMIGO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Este texto foi  tirado do livro "A historia de uma menina de Timor ou como Bui Terssa descobriu o Mundo" e descreve a historia de uma menina Timorense de 5 anos de idade que se viu obrigada a viver escondida no mato, para fugir as tropas Indonesias e mais tarde a cohabitar com o Invasor.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um dia.., não sei qual a data, mas sei que era no fim da época das chuvas, o céu nasceu cor de breu e sem matizes que nos dessem um pouco de serenidade. O negro do céu era total e dava ao ambiente um travo de amargura que deixava as nossas almas tristes e os nossos corações cheios de angústia. Só a ténue luminescência do astro-rei esgueirando-se por alguma frecha esquecida da capa que nos cobria, dava a indicação de que o dia já tinha despontado. Para mim era deprimente este cenário pesado e negro do ambiente que nos rodeava. Abruptamente ela desceu em catapultas. O céu abriu-se, como se o peso do negrume fosse tal que retalhasse o fundo do firmamento, derramando a sua essência sobre a natureza estarrecida.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;A cortina de água que caiu, era um fenómeno algo frequente em Timor, geralmente de breve duração, mas ocasionando sempre enxurradas destruidoras.&lt;br /&gt;O nível de água depressa subiu e a pequena ribeirinha contígua ao nosso abrigo, começou a extravasar  do seu avoengo leito, inundando as margens e tornando a gruta num lago subterrâneo. O meu avô temeu o pior e mandou que o meu tio “António Aman” levasse a minha avó, eu, a minha tia mais nova, Natália e o meu tio Cristóvão para o outro lado da ribeira, onde nos  refugiaríamos numa casinha que havia na horta.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Aí começaram os nossos problemas.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Depois de ultrapassada a torrente e também a vedação do quintal, dirigimo-nos para cima onde estava a guarda, com o fito de nos refugiarmos da chuva que era diluviana. Ao chegarmos perto de um maciço de bananeiras, a minha avó quis cortar uma folha para nos servir de guarda-chuva, eis quando surgindo do nada, soldados de armas em punho apontadas a nós nos cercaram, e alguém na língua Mambai nos mandou pôr as mãos para cima e que não tentássemos fugir, pois que disparavam a matar.&lt;br /&gt;Fiquei apavorada e agarrei-me à minha avó que se sentou de cócoras e me abraçou, também cheia de terror. A minha tia Natália que teria pouco mais ou menos quatorze anos e o meu tio Cristóvão, de quinze, ficaram ambos abraçados e paralisados de medo, o meu tio  “António Aman”, apenas levantou os braços em sinal de rendição.&lt;br /&gt;Num ápice, estávamos rodeados de buracos negros que apontavam para nós ameaçadores e feios. O tradutor, um Timorense de etnia Mambai como nós, ia explicando que não era necessário termos medo pois os “Pápas *” não nos queriam fazer mal. Mandaram então que subíssemos na direcção da casita que servia de guarda da horta, onde nos sentámos encolhidos a um canto cheios de pânico. A minha avó tremia como varas verdes fustigadas por vento selvático, eu chorava baixinho  com  medo  de que  os demónios  que  nos rodeavam me ouvissem. Os meus outros tios também encolhidos de cócoras faziam por sobreviver.&lt;br /&gt;A minha avó entretanto, sussurrou-nos que disséssemos que estávamos sozinhos, se eles perguntassem por outras pessoas. Não perguntaram nada. Após a chuva parar, mandaram que seguíssemos em fila indiana no meio deles, para lugar indeterminado. Atravessámos a horta e começámos a descer para a ribeira de Cumain. Eu ia bem agarrada à minha avó ainda com as pernas a tremer, de frio e de medo. A velhota estava com muita tosse, ficando por vezes quase que sufocada.&lt;br /&gt;Quando chegamos à ribeira esta levava bastante água e como o meu tio “António Aman” estava a amparar a minha avó, um dos “Japaneses *” pegou em mim e pôs-me às cavalitas, para a atravessar. Tive tanto medo que fiz chichi em cima do mafarrico que me carregava, mas talvez por estarmos todos empapados com a água da chuva e porventura não tivesse sentido, ele não me disse nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“in A historia de uma menina de Timor&lt;br /&gt;ou como Bui Terssa descobriu o mundo”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;mco&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;---------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;·       Japanês - era a inicial maneira usada pelo povo, para chamar os Indonésios.&lt;br /&gt;·       * Pápas  -  de Bapak (língua Indonésia – senhor ) maneira do povo chamar os Indonésios&lt;/span&gt;.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6789702253270593598-7470857303370796236?l=timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/feeds/7470857303370796236/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6789702253270593598&amp;postID=7470857303370796236&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/7470857303370796236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/7470857303370796236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/2007/10/o-inimigo.html' title='O INIMIGO'/><author><name>Mau Lear</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15677355814500837177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6789702253270593598.post-6966212994867467148</id><published>2007-09-23T01:41:00.000-07:00</published><updated>2007-09-23T01:53:43.707-07:00</updated><title type='text'>A  cidade de Dili dos anos sessenta</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Peco desculpa se não é esta a Dili que conhecem. A visão que vos apresento é muito pessoal e refere-se a um quadro muito querido de algo que passou, e não mais voltara. Foi a cidade onde me fiz homem, onde os grandes momentos bons e maus da minha vida, tiveram lugar, onde morri e nasci mil vezes, num imaginário de amor recortado por momentos de ciúmes ódios e mesquinhas vinganças. Aqui me realizei como ser humano e algumas vezes desumano. Dili é o coração da minha existência.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A cidade foi para mim um assombro. O Senhor padre entregou-me em casa do meu padrinho. A casa ficava situada no Vale de Lahane e encontrava-se situada a meia encosta donde se via o mar e Dili por baixo. Os meus olhos procuravam avidamente abarcar tudo de uma vez e nos dois dias seguintes fiquei observando cada pormenor do horizonte que se podia lobrigar da varanda da casa. Os filhos do meu padrinho bem me desafiaram para ir passear com eles, mas a metamorfose que a minha vida tinha sofrido, fora muito rápida e os medos acumulados ao longo de anos ainda não tinham sido debelados e reflectiam-se no meu dia a dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percorri Dili de lés-a-lés e ficava cada vez mais maravilhado com o que descobria. A cidade era muito limpa e cuidada. Os quintais e jardins bastante arranjados e tinha um grande movimento nas ruas, onde os soldados Portugueses, se cruzavam com Timores,&lt;br /&gt;Chinas e Árabes numa perfeita simbiose rácica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era a gloriosa Dili, onde uns atropelavam e outros eram atropelados, onde uns vendiam e outros compravam, onde uns andavam calçados e outros descalços, onde a cor da pele ia do amarelo ao branco passando pelo chocolate e café com leite, onde os olhos de amêndoa eram os verdadeiros senhores feudais, disfarçados de vendedores, onde os olhos sonhadores das sereias, trocavam promessas de noites tropicais com os olhos sempre ávidos dos Malais, * onde a brisa quente das noites, trazia suavemente as vibrações da “Música a seu gosto”* ouvida em todos os rádios espalhados pela capital e não só, com promessas lúbricas, dirigidas à “estrela do oriente”* ou a outra estrela qualquer, tudo isto, bem misturado com os Jack Pott* no Amadeu Coelho, as vozes gritadas do Teixeirinha ou Roberto Carlos que saíam por entre as frestas das palapas da Colmera e se esvaíam no éter morno e cheiroso a Laco.*&lt;br /&gt;Para acabar tínhamos ainda a má língua das varandas corridas, as Kore Metan, * o pó das ruas, o calor, o som rouco e melodioso do violino do Abril Metan* e os mosquitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dili era mesmo especial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao fim de um mês eu conhecia bem o pulsar da vida da cidade. Da varanda da casa local que eu escolhera para estudar, podia ver e sentir que a cidade tinha um coração que palpitava aceleradamente, desde a manhã até que à noite cansada se rendia.&lt;br /&gt;Depois da meia-noite, só algum noctívago quiçá bem etilizado se aventuraria a roubar a noite às Pontianas, seres maléficos que apresentavam aspecto lindo de mulher com longos vestidos até aos pés, para ocultar que estes não assentavam no chão e que deslizavam somente&lt;br /&gt;Elas enganavam os homens e aqueles que fossem no seu engodo, iam de certeza parar ao inferno. Eu à noite não saia de casa depois do criado do meu padrinho o Júlio me ter posto a par destes seres e dos espíritos, donos da terra “Rai Nain” que se refugiavam nos milenários gondões, da estrada de Balide, de grandes lianas pendentes a roçarem o chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                               º'''''''''''''''''''''''''''''''''''''ººº''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''''º&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;* Malais, – Aportuguesamento da palavra Malai que significa estrangeiro, fazendo plural. Neste caso Malais que são os soldados Portugueses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* “Música a seu gosto” – Programa da rádio de Dili com grande audição em todo o território, onde se dedicavam músicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*“Estrela do oriente” – Era uma das mais famosas dedicatórias do programa “Música a seu gosto”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Jack Pott – Máquinas de Jogo, de uma casa aberta no antigo café do Amadeu Coelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Laco – Aportuguesamento da palavra (Tetum) Laku, nome dado a um pequeno animal, parecido a uma raposa, com um cheiro muito próprio (Paradoxurus musanga).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Kore Metan – Festa para tirar o luto, feita ao fim dum ano, geralmente com jantar e baile, além da prática religiosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Abril Metan – Antigo tocador de violino, mestiço de origem Africana, talvez descendente das tropas Landins, que tinha o mais célebre conjunto para tocar em festas e nas Kore Metan.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(in “Buan”)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;mco &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6789702253270593598-6966212994867467148?l=timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/feeds/6966212994867467148/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6789702253270593598&amp;postID=6966212994867467148&amp;isPopup=true' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/6966212994867467148'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/6966212994867467148'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/2007/09/cidade-de-dili-dos-anos-sessenta.html' title='A  cidade de Dili dos anos sessenta'/><author><name>Mau Lear</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15677355814500837177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6789702253270593598.post-6687643839337198572</id><published>2007-08-31T11:28:00.000-07:00</published><updated>2007-08-31T11:40:28.181-07:00</updated><title type='text'>TIMOR E A SOLIDAO</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;Estou sem inspiração mas quero escrever em verso alguma coisa sobre Timor. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;Algo que me liberte e me tire o peso do coração, uma boa noticia, será possível ou não?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;Nada de política, nada de desgraças, nada de soberbas nem de tiros.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;Mas uma névoa sentida de amor, e carinho que distancie da terra amada, toda a pulhice e sangria.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;Uma nuvem de veneno puro e gostoso que limpasse o mal cheiroso, a maldade e o&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;desespero.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;Que desse a Timor o caminho maravilhoso das estrelas e constelações cheia de milhões de anos de luz e salva de complicações.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;Mas a porcaria da inspiração não me vem, e eu nesta solidão, nesta confusão de soberbas e de tiros desisto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;E engulo o tal veneno puro e gostoso.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;Mau Lear&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6789702253270593598-6687643839337198572?l=timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/feeds/6687643839337198572/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6789702253270593598&amp;postID=6687643839337198572&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/6687643839337198572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/6687643839337198572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/2007/08/timor-e-solidao.html' title='TIMOR E A SOLIDAO'/><author><name>Mau Lear</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15677355814500837177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6789702253270593598.post-6834190634421861634</id><published>2007-08-27T03:14:00.000-07:00</published><updated>2007-08-27T03:49:22.726-07:00</updated><title type='text'>UMA VIAGEM DE CAMIONETA PELAS MONTANHAS DE TIMOR</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A viagem foi longa e perigosa. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;As estradas, se assim se poderiam chamar esses caminhos pedregosos e cheios de buracos, serpenteavam montanha acima, em apertadas e perigosas curvas, flanqueadas por profundas e abruptas encostas. A camioneta uma velha Bedford conduzida por um velho condutor chines &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;arquejava estrada acima e eu, tinha a sensação de que ela, era mais larga do que a estrada. A grandeza abrupta da paisagem tornava-nos seres minúsculos e desprezíveis mas valentes, pela coragem que era necessária, para conduzir um pedaço de ferro enferrujado, como o fazia o condutor china e pelos que sentados ao seu lado se agarravam desesperados a qualquer apoio, na esperança de que, se algo de errado acontecesse, seria essa a salvação.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O padre que ia sentado do lado de fora, (eu sentava-me entre ele e o condutor) dava-se ares de valente e, apesar do seu sorriso ser amarelo, gozava à grande, do ar pálido do meu rosto. Eu tinha o meu estômago transformado num novelo de linhas, mas, o próprio medo fez-me reagir e repararei então que o padre em diversas ocasiões punha a mão perto do manípulo da porta, preparado para o pior. O auge de toda esta epopeia, foi quando numa subida de quase noventa por cento, surgiu uma curva em cotovelo, onde o velho veículo teria de fazer manobra, porque a amplitude do arco descrito pelas rodas não chegava para completar a curva. Do lado esquerdo da estrada, a bocarra negra do precipício, parecia esperar que a atracção pelos abismos, produzisse efeito e pagasse a portagem pela nossa coragem e atrevimento. A velha Bedford parou num inverosímil e precário equilíbrio, com todos os travões accionados. Lentamente, o experiente condutor, começou a deixá-la descair em marcha-atrás na direcção do abismo, para depois numa manobra rápida e arrojada arrancar de novo, conseguindo completar o quase circulo da curva, roçando ainda com o guarda-lamas do carro nas faldas da montanha. Eu estava aterrorizado, mas o padre, estava mais pálido do que eu, tinha os lábios a tremer, como se estivesse a rezar, é que estando à janela da camioneta via lá nas profundidades dos penhascos, os contornos do fundo do inferno.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Depois de muitas curva e contra curvas de arrepiar, chegámos por fim ao alto da cordilheira. O ar era fresco e tornava a respiração ofegante. O carro parou como que para tomar de novo alento para o resto da viagem. Tinha aquecido demais, dizia o meu herói, que era sem dúvida o velho condutor chinês. Estávamos quase no topo de Timor. Deste local apenas se avistava os sopés e encostas das montanhas escaladas, e se em baixo nos sentíramos pequenos, cá em cima, sentiamo-nos verdadeiramente impotentes para compreender como poderia tanta grandeza existir sem o espírito de Deus. Para cima de nós pouco mais haveria.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Depois foi a descida. Vales, viçosos e verdejantes, hortas bem cuidadas como só o sabem fazer os povos das montanhas, ribeiras sem pontes, onde a camioneta qual gigantesco sáurio mergulhava resfolegando, deixando o meu coração pequeno de medo, descidas algumas vezes medonhas, mas até Dili nada mais foi como a subida das montanhas que tínhamos feito anteriormente.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;- Tiveste medo da subida? –Perguntou-me o Senhor padre, já mais senhor de si.&lt;br /&gt;- Muito medo! – Anui eu com vontade de lhe dizer que o meu medo e o dele tinham sido iguais.&lt;br /&gt;- Então estás com sorte porque a descida daquelas montanhas é muito pior que a subida.&lt;br /&gt;Fiquei calado pois que recapitulando mentalmente o que tínhamos subido, achei que ele teria forçosamente razão.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Ao fim de quase cinco horas de ser amassado dentro do monstro de chapa que nos transportava, chegámos ao alto de uma montanha donde se via o mar e Dili. O Senhor padre pediu ao condutor que parasse, com o intuito de urinar no meio do mato.&lt;br /&gt;Desci do carro e reparei então. Em baixo junto do mar a cidade espionava por entre as folhagens de frondosas e milenárias árvores, qual donzela envergonhada, em demanda do seu bem amado. Não se podia ter uma noção real da sua grandeza mas a planície por onde se espraiava era bastante extensa. Bem perto do mar e destacando-se dos outros edifícios, estava um que pela sua altivez, se impunha, era o palácio do Governo. Um pouco mais à frente e mais para a esquerda estava o cais que primava nesse momento pela ausência de qualquer barco.&lt;br /&gt;Dili vista de cima, não era nem por sombras tão bonita como era na realidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Continuámos a descer e passámos por um grande tanque de água que parecia uma piscina. O Senhor padre disse-me então que, um pouco mais para cima desse local, ficava o Seminário que eu talvez um dia viesse a frequentar. Descemos, descemos sempre pela estrada de terra batida até que já se sentia o cheiro da cidade. O primeiro contacto com a Praça, como era uso chamar-se a Dili, foi quando chegámos ao que o Senhor padre me explicou ser o palácio do Governador. Era lindo, com um grande tanque de água mesmo em frente. O edifício tinha dois torreões, um de cada lado da entrada que era servida por uma escadaria descendo para o Jardim. O Palácio estava pintado de branco e a sua alvura contrastava com o verde das folhas e o vermelho das acácias que o circundavam. Mesmo por cima da porta o escudo Português, que eu tinha estudado na quarta classe e por cima deste a bandeira de Portugal.&lt;br /&gt;O palácio era rodeado por jardins e um gradeamento que terminava na casa da guarda com dois grandes portões em ferro. Tudo isso era bem diferente dos locais onde eu nascera e me criara!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;(in “Buan”)&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;mco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6789702253270593598-6834190634421861634?l=timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/feeds/6834190634421861634/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6789702253270593598&amp;postID=6834190634421861634&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/6834190634421861634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/6834190634421861634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/2007/08/uma-viagem-de-camioneta-pelas-montanhas.html' title='UMA VIAGEM DE CAMIONETA PELAS MONTANHAS DE TIMOR'/><author><name>Mau Lear</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15677355814500837177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6789702253270593598.post-351354471326897555</id><published>2007-08-19T02:14:00.000-07:00</published><updated>2007-08-19T02:31:01.635-07:00</updated><title type='text'>UM BAZAR ALGURES EM TIMOR</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;No Bazar, – mercado – as bancas, eram panos, ou esteiras estendidas no chão, onde se vendiam principalmente produtos agrícolas, mas onde não se fiava a ninguém como nos chinas. As bancas encontravam-se alinhadas pela direita, bem vigiados por um sipaio de vara na mão, pronta a castigar os incautos que se atrevessem a desrespeitar as regras da disciplina que todos tinham de acatar. Como excepção a essa regra só os milhões de moscas e moscardos que, voando em nuvens, provenientes das largas dezenas de cavalos de carga, presos perto do local, atacavam teimosamente os olhos dos seres vivos. Quando digo seres vivos, os porcos presos por uma pata e de grunhido permanente, os galos altaneiros esperando pela hora da luta, ou os esqueléticos cães com uma coleira de corda ao pescoço, continuada por um pau para que não pudessem roer a corda, além dos frangos e galinhas amarrados pelas patas e pendurados de cabeça para baixo, esses, também eram seres vivos, não sendo menos molestados que os humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, o Bazar, apesar da disciplina imposta pela vara do sipaio tornava-se num pandemónio, logo após o toque da sineta, que autorizava o começo das transacções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era o ataque geral. À força de cotovelos, e empurrões, sem respeito pelas regras de trânsito, onde se via bem explicita a lei do mais forte, ansiosos de serem os primeiros a chegarem aos artigos que queriam comprar, os compradores, furavam e debatiam-se, numa competição que servia de pretexto, para o aumento dos preço, dos produtos expostos.&lt;br /&gt;O anterior, quase se pode dizer, silêncio, era substituído por uma algaraviada de vozes, sotaques e dialectos, já não falando dos gritos e insultos, que tornava o bazar numa autêntica torre de Babel.&lt;br /&gt;Eu estava notoriamente aturdido com tanta barafunda. Um dos moradores, corajosamente, depois de dizer que já voltava, enfiou-se destemidamente no meio desta batalha campal e depois de algum tempo, surgiu ileso, com um atado de tabaco, de cor amarela acastanhada e que na opinião dos entendidos, era o de melhor qualidade, pois tinha vindo do Suai, um outro Concelho, longe do nosso.&lt;br /&gt;Eu, como estava com medo, que alguém me reconhecesse e lançasse o alarme, disse aos moradores que deveríamos continuar a nossa viagem, até ao nosso destino, destino esse, que eu tanto desejava e que, pelo seu imprevisto, tanto temia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afastamo-nos então desta contenda que tinha abrandado em violência, mas não na chinfrineira e, começamos a subir, o íngreme caminho empedrado que nos conduziria para a residência, ou melhor dizendo, para o complexo residencial e repartições públicas, da sede do Concelho.&lt;br /&gt;O ambiente que existia no cimo da subida era totalmente diferente, daquele que tínhamos deixado havia poucos minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A limpeza das ruas bem cuidadas, com frondosas árvores e jardins vicejantes, onde o verde de diferentes cambiantes, contrastava com a brancura imaculada das paredes das construções estilo colonial que os rodeava, um silêncio profundo que dava para ouvir o chilrear dos pássaros que em pequenos bandos, esvoaçavam de árvore em árvore pousando aqui e ali, à procura, gulosos, das afogueadas flores das acácias rubras, para depois de saciados e de novo juntos, tentarem em voos rasantes, plagiar o esvoaçar das nuvens de moscas que tínhamos deixado para trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo era lindo e ordenado. Ali estava a escola, a secretaria do Concelho, a pousada, tudo ajardinado e o que mais me interessava, num extremo, a residência do Administrador, contraposta ao hospital que se distinguia ao longe.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Respirei fundo, enchendo os pulmões deste ar rarefeito que me fazia sentir mais leve e feliz por estar aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;(in “Buan”)&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;mco&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6789702253270593598-351354471326897555?l=timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/feeds/351354471326897555/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6789702253270593598&amp;postID=351354471326897555&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/351354471326897555'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/351354471326897555'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/2007/08/um-bazar-algures-em-timor.html' title='UM BAZAR ALGURES EM TIMOR'/><author><name>Mau Lear</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15677355814500837177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6789702253270593598.post-5245968147927794916</id><published>2007-08-03T10:26:00.000-07:00</published><updated>2007-08-03T10:37:11.241-07:00</updated><title type='text'>LENDAS E LEGENDAS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Caro amigo Mau Lear ao procurar noticias sobre Timor dei com o seu blog e como amante de tudo o que diz respeito a essa Terra  “que o sol nascendo vê primeiro” não resisti a tentação de dar uma vista de olhos pelo que estava escrito nele. Gostei. Sei que vai ter dificuldade de sobreviver pois que as pessoas muitas vezes não se interessam pela calma literatura sem política e contestação a mistura, mas talvez se os escritos aceites por si forem fora do contexto político, ao fim de algum tempo as pessoas se interessem em escrever umas linhas. Comigo pode contar incondicionalmente, e para começar ai vão umas historietas&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Todos os que se interessam por assuntos de Timor sabem que existem alguns itens que estão desde sempre ligados a sociedade tradicional  Timorense, o galo e a luta, o cavalo e as corridas, as suriks etc.etc.etc.. Todos eles tem uma forte ligação a personalidade TIMORENSE.&lt;br /&gt;O Galo e o companheiro por excelência do homem timorense e acompanha-o sempre nas suas saídas, quer para festas tradicionais, quer para os bazares. Ele e a representação do espirito guerreiro do seu dono e esta sempre pronto a morrer por ele e este, revê-se na sua valentia.&lt;br /&gt;Quando a “tara” volta suja de sangue e penas do adversário, e o delírio e quando o adversário morre ou foge e o “Bidu,” o mesmo, com que, em tempos de antanho, festejavam as vitorias sobre os seus inimigos.&lt;br /&gt; Alem do galo, o cavalo e de uma importância crucial na vida e economia  de Timor.&lt;br /&gt;Como poderíamos conceber a sociedade Timorense sem cavalo?&lt;br /&gt;Como ir ao Bazar por montes e vales, para trocar produtos, especialmente da terra,  por outros produtos necessários  ao dia a dia ?&lt;br /&gt; O cavalo na vida do Timorense e alem do factor riqueza também uma necessidade das mais prementes para a sua sobrevivência.&lt;br /&gt;Estes  animais pequenos de corpo, mas de uma resistência de ferro, ao longo dos  tempos influenciaram definitivamente a vida, no transporte de pessoas e bens, no trabalho pisando os campos de arroz e muitas vezes nas competições, como corridas tradicionais, enriquecendo  o seu dono ou levando-o a miséria .Queria contar aqui algumas historias de cavalos que mudaram quase radicalmente a vida dos seus donos&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A historia do Cavalo LEKEDE  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A historia do cavalo LEKEDE e bastante antiga, talvez não chegue aos cem anos mas deve andar perto dos sessenta e tais, para mais. Nesse tempo era Liurai de Fatu Mean um mestiço chinês chamado Nai Klara. Ele era um jogador mas era também um homem muito esperto.&lt;br /&gt;Contava-se que era o chefe do grupo de salteadores que roubavam do outro lado da fronteira (Indonésia) o gado balines que se desenvolvia nas regiões limítrofes do seu suco.&lt;br /&gt;Dizia ele a boca cheia que os Holandeses tinham introduzido o gado balines na Indonésia e que ele o tinha introduzido em Timor (roubado).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa época havia em Betun, do outro lado da fronteira, um regulo que tinha um grande antagonismo com Nai Klara, esse regulo possuía  um cavalo muito rápido, mesmo imbativel e desafiou Nai Klara para uma corrida  de cavalos.&lt;br /&gt;Haveria uma aposta forte em dinheiro, gado bovino e cavalar entre os dois liurais e também entre o povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nai Klara tinha bons cavalos, ele era um amante desses animais, mas não tinha nenhum que se pudesse bater com o outro cavalo, ele sabia isso, no entanto ele aceitou o desafio.&lt;br /&gt;Mensagens para ca  mensagens para lá, a aposta ficou concluída e o dia da corrida marcado. Ficou acordado a pedido de Nai Klara que haveriam duas corridas, a primeira do outro lado da fronteira e a segunda do lado do Suai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora Nai Klara tinha dois cavalos brancos, irmãos, igualzinhos e enviou para a corrida um deles de nome LEKEDE.&lt;br /&gt;A corrida não era feita em pista circular mas em corta-mato de um local ate outro, com alguns quilómetros de distancia, o cavalo de Betun, ganhou com um avanço muito grande.&lt;br /&gt;Nai Klara perdeu e pagou a sua aposta. O povo do Suai pagou também a sua divida ao povo de Betun sem pestanejar.&lt;br /&gt;E durante uma semana o povo de Betun veio a Suai cobrar a divida e levou gado e bens para o outro lado da fronteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nai Klara fez-se esquecido sobre a segunda corrida ate que passados dois meses o Liurai de Betun, de novo, quis marcar a corrida no Suai.&lt;br /&gt;O Liurai  e o povo de Betun apostaram tudo o que tinham, em gado e dinheiro, com a ganância de  ganharem toda a riqueza do povo do Suai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na data aprazada, o povo de Betun invadio o Suai, para começarem a cobrar a divida logo após a corrida, pois seria impossível eles perderem a competição.&lt;br /&gt;Começou a corrida e o cavalo do Liurai de Betun ganhou logo a dianteira ate desaparecer de vista, nessa altura o Liurai Nai Klara mandou o cavalo branco que alinhou na partida voltar para Fatu Mean. O cavalo branco era o irmão gémeo do Lekede, e este encontrava-se escondido num bosque, perto da meta final. Quando o cavalo de Betun se aproximou ele saiu do esconderijo e ganhou a corrida.&lt;br /&gt;O povo do Suai entrou em Betun e trouxe toda a riqueza desta zona para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta historia não e uma lenda, aconteceu na realidade, eu conheci pessoalmente o cavaleiro do LEKEDE, já bastante velho e de corpo pequeno e franzino. Em Betun afirmaram-me que depois da corrida do LEKEDE nunca mais aquele povo foi rico.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6789702253270593598-5245968147927794916?l=timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/feeds/5245968147927794916/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6789702253270593598&amp;postID=5245968147927794916&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/5245968147927794916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/5245968147927794916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/2007/08/lendas-e-legendas.html' title='LENDAS E LEGENDAS'/><author><name>Mau Lear</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15677355814500837177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6789702253270593598.post-5190013812143000832</id><published>2007-07-21T16:19:00.000-07:00</published><updated>2007-07-21T16:39:51.549-07:00</updated><title type='text'>Uma Lenda verdadeira</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Num dos pontos mais altos do reino de Buburssusso, a mais de mil e quinhentos metros de altitude e empoleirada no pico de uma montanha, fica a povoação de AITUHA.&lt;br /&gt;Fortaleza natural, rodeada de penedos que a defendem como se fosse um castelo medieval, a povoação como todas as outras desta zona, e um aglomerado de casas feitas de bambu, que apenas difere das demais porque e a residência de uma lenda viva, única em Timor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde muito cedo me apercebi que o povo de Buburssusso era diferente do restante povo dessa zona, principalmente pela tonalidade da sua pele. O Liurai Funo Berek era homem para os seus sessenta e tal anos, mas apesar da sua idade ainda corria a cavalo, como se fosse um homem de quarenta.&lt;br /&gt;Sabedor que existia ali uma mistura de sangues procurei saber, mais por curiosidade, de onde lhes vinha essa mestiçagem.&lt;br /&gt;Interrogado mostrou-se evasivo, e começou por dizer que o seu povo era mesmo assim, que como rezava a historia tinham vindo de We Hali, We Sei, We Bico e We Tama, e bla, bla, bla, que fingi acreditar. Tentei então novos caminhos e de pergunta em pergunta fui cercando a verdade, ate que sem maneira de fugirem a ela, me propuseram uma visita a povoação de Aituha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque a povoação de Aituha, perguntei? A resposta foi simples e desconcertante: Foi ali que tudo começou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fomos a cavalo porque ainda era longe de Oro Lora, local onde nos encontrávamos e depois de um aprazível passeio por entre hortas e plantações de bambus, começamos a subir ladeados de pedregulhos para a povoação de Aituha.&lt;br /&gt;Como nesta zona se fala o Lakalei um ramo da língua Idalaca, que eu a não sei falar tive de usar um tradutor do Lakalei para o Tetum.&lt;br /&gt;O chefe da povoação era um antigo soldado do esquadrão de cavalaria de Bobonaro, de seu nome João Freitas, que logo se prontificou a ajudar-nos&lt;br /&gt;no nosso objectivo, e nos levou directamente, com um aparente sentimento de alivio para junto de um “lian nain”.&lt;br /&gt;Este era um homem bastante alto, mais alto do que a media Timorense, de pele branca com bastantes sardas no rosto, olhos claros, e cabelo já branco mas com aspecto de ter sido alourado.&lt;br /&gt;Se era estranho o facto de encontrar no alto desta montanha perdida no interior de Timor uma pessoa como esta, mais estranho seria talvez o como isso teria acontecido.&lt;br /&gt;Depois de uns momentos de estupefacção as perguntas começaram a afluir a minha mente em catapultas e tive de fazer um esforço para controlar a minha ânsia de saber.&lt;br /&gt;O povo de povoação começou a pouco e pouco a sair das suas casas e a juntarem-se a nos e pude constatar que olhos claros e pele com sardas alem de cabelos alourados não eram só os do velho lian nain. Raparigas que eu nunca vira e velhotas todas elas apresentavam fortes indícios de mestiçagem. E aqui começa a LENDA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Tempo houri uluk.....” E começou tudo de novo, viemos do We Hali We Bico ......bla.....bla....bla.....Tive que cortar e explicar que não era essa a historia que eu queria ouvir, mas o porque da diferença racial entre o povo de Aituha e do resto de Timor. Então muito a custo a Historia tornada lenda saiu das brumas do passado, um passado que essa mesma lenda procurava desesperadamente esconder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Certo dia as mulheres foram buscar agua a nascente que havia por debaixo da povoação a uns dez minutos a pé, e quando lá chegaram viram no fundo da nascente uns espíritos de pele branca. Com medo fugiram, mas os espíritos chamaram-nas e a pouco e pouco elas foram-se aproximando de novo. Quando olharam novamente para esses espíritos eles riram para elas e elas ficaram também com os cabelos os olhos e a pele da mesma cor da dos espíritos.”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Era a LENDA VERDADEIRA, pois que lenda era ela e verdadeira também.&lt;br /&gt;Era bem visível aquilo que os espíritos de pele branca tinham feito.&lt;br /&gt;Essa era a verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei na duvida se seria honesto da minha parte aprofundar mais o problema uma vez que esta lenda nascera por ventura de uma necessidade de ocultar a realidade dos factos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“Viagens por esse Timor fora”&lt;br /&gt;       Manuel Mau Kruma&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6789702253270593598-5190013812143000832?l=timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/feeds/5190013812143000832/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6789702253270593598&amp;postID=5190013812143000832&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/5190013812143000832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/5190013812143000832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/2007/07/uma-lenda-verdadeira.html' title='Uma Lenda verdadeira'/><author><name>Mau Lear</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15677355814500837177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6789702253270593598.post-6715104099251546002</id><published>2007-07-14T18:06:00.000-07:00</published><updated>2007-07-14T18:09:35.488-07:00</updated><title type='text'>As Terras de Rai Maliak</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Nas profundezas de Timor, onde só chega quem quer lá chegar e entre as montanhas de Buburssusso e Caicassa, serpenteia a ribeira de Laclo do Sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a descida de Caicassa para a ribeira põe o coração num constante sobressalto, principalmente se usamos o cavalo como meio de locomoção, não ficaremos mais descansados ao chegar a ribeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao medo da descida "se o cavalo escorrega, ou tropeça," sucede a apreensão e sentimento de pequenez pela grandiosidade e aridez desse vale.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O leito da ribeira, alarga-se do sopé de uma montanha, ate ao sopé da outra. O deserto de areia e pedras vem lá de cima, pois que vemos a próxima curva da ribeira como que ao nível dos nossos olhos, e e com apreensão que iniciamos a travessia, rogando a Deus que não venha uma enxurrada por ai abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos dois lados da ribeira as montanhas erguem-se abruptas e se o sol não esta a passar mesmo por de cima, este vale cobre-se de sombras feitas pelas escarpas circundantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A agua de coco "nun kau" que bebemos em Caicassa, e que nos soube melhor que qualquer refrigerante, já lá vai e a boca torna-se seca e com sabor a pó e a areia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O deserto pedregoso que nos rodeia faz-nos pensar em almas penadas, dançando ao ritmo dos remoinhos do vento que sopra e cujas penas sejam as de rondarem eternamente, este solitário ermo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caminho-de-pé-posto, qual auto-estrada, serpenteia pela ribeira ate ao ponto onde se subdivide, subindo um em direcção ao reino de Buburssusso e o outro pela ribeira abaixo, para mais alem, subir também a montanha para o suco de Fahi-Nehan. Seguindo o segundo caminho o que segue em direcção de Fahi-Nehan, iremos encontrar um pouco mais a baixo do começo dessa subida, outro desvio que nos levara ribeira a baixo ate a entrada de RAI MALIAK.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O local e árido, seco e deserto. Algumas arvores das quais resta muito pouco e bastantes "Ai lokes" alem do capim, são a vegetação predominante da pequena planície que e cercada de montanhas a toda a volta, num circulo perfeito, com apenas uma entrada que fica virada para a Ribeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paramos em Rai Maliak para nos refrescarmos e porque o local me enchera de espanto. Os velhos disseram-me que antigamente no tempo dos avos teria havia ali uma povoação muito grande, com muita gente, mas um dia foram todos embora, não se sabe para onde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As minhas perguntas foram a pouco e pouco ficando sem resposta, mas pelos olhos dos velhos vi que as respostas existiam mas eram já do reino do sobrenatural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentei-me numa pedra que se encontrava a sombra de um ai loke, e pus-me a pensar como seria este local, numa noite de lua cheia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ribeira a baixo em direcção a planície de Hai Naruk, embalado pelo andar bamboleante do cavalo, ia sonhando que um dia havia de voltar, na tal noite de lua cheia, quando todas as almas que por ali andavam se libertassem dos seus corpos de veados para dançarem languidamente ao som do tebe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Viagens por esse Timor fora"&lt;br /&gt;  Manuel Mau Kruma&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6789702253270593598-6715104099251546002?l=timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/feeds/6715104099251546002/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6789702253270593598&amp;postID=6715104099251546002&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/6715104099251546002'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/6715104099251546002'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/2007/07/as-terras-de-rai-maliak_14.html' title='As Terras de Rai Maliak'/><author><name>Mau Lear</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15677355814500837177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6789702253270593598.post-4745739735969222427</id><published>2007-07-13T15:57:00.000-07:00</published><updated>2007-07-13T16:09:21.359-07:00</updated><title type='text'>EM JANEIRO DE 2008 VAMOS TER ALGUMAS MUDANÇAS NA ORTOGRAFIA UMA TENTATIVA DE UNIFICAR  A LÍNGUA DE CAMOES NA CPLP</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O que vai mudar na ortografia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- As paroxítonas terminadas em "o" duplo, por exemplo, não terão mais acento circunflexo:&lt;br /&gt;Por exemplo:&lt;br /&gt;"abençôo", "enjôo" ou "vôo",&lt;br /&gt;os brasileiros terão que escrever:&lt;br /&gt;"abençoo","enjoo"ou"voo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- mudam-se as normas para o uso do hífen.Não se usará mais o acento circunflexo nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos:&lt;br /&gt;"crer", "dar", "ler", "ver" e seus decorrentes,&lt;br /&gt;ficando correcta a grafia:&lt;br /&gt;"creem", "deem", "leem" e "veem".&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Criação de alguns casos de dupla grafia para fazer diferenciação, como o uso do acento agudo na primeira pessoa do plural do pretérito perfeito dos verbos da primeira conjugação, tais como "louvámos" em oposição a "louvamos" e "amámos" em oposição a "amamos".&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;-O trema desaparece completamente.&lt;br /&gt;Estará correcto escrever&lt;br /&gt;"linguiça", "sequência", "frequência" e "quinquênio"&lt;br /&gt;ao contrario de:&lt;br /&gt;lingüiça, seqüência, freqüência e qüinqüênio.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O alfabeto deixa de ter 23 letras para ter 26, com a incorporação de "k", "w" e "y".&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- O acento deixará de ser usado para diferenciar "pára" (verbo) de "para" (preposição).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Haverá eliminação do acento agudo nos ditongos abertos "ei" e "oi" de palavras paroxítonas, como:&lt;br /&gt;"assembléia", "idéia", "heróica" e "jibóia".&lt;br /&gt;O certo será:&lt;br /&gt;assembleia, ideia, heroica e jiboia.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Em Portugal, desaparecem da língua escrita o "c" e o "p" nas palavras onde ele não é pronunciado, como em:&lt;br /&gt;"acção", "acto", "adopção" e "baptismo".&lt;br /&gt;O certo será:&lt;br /&gt;ação, ato, adoção e batismo.-&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Também em Portugal elimina-se o "h" inicial de algumas palavras, como em "húmido", que passará a ser escrito como no Brasil: "úmido".&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Portugal mantém o acento agudo no e e no o tônicos que antecedem m ou n, enquanto o Brasil continua a usar circunflexo nessas palavras:exemplo:académico/acadêmico, génio/gênio, fenómeno/fenômeno, bónus/bônus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma coisa que não muda, nem nunca mudara com as normas ortográficas são as pronuncias de cada região (pais).&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Segundo a Agencia Lusa&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6789702253270593598-4745739735969222427?l=timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/feeds/4745739735969222427/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6789702253270593598&amp;postID=4745739735969222427&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/4745739735969222427'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/4745739735969222427'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/2007/07/em-janeiro-de-2008-vamos-ter-algumas.html' title='EM JANEIRO DE 2008 VAMOS TER ALGUMAS MUDANÇAS NA ORTOGRAFIA UMA TENTATIVA DE UNIFICAR  A LÍNGUA DE CAMOES NA CPLP'/><author><name>Mau Lear</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15677355814500837177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6789702253270593598.post-3190052350652569678</id><published>2007-07-11T05:46:00.000-07:00</published><updated>2007-07-11T05:59:31.303-07:00</updated><title type='text'>Timor, lendas, prosas e narrativas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;Este eh um cantinho onde todos podem escrever ou ensaiar escritos, desde as lendas de Timor,  prosas do fundo da nossa alma, narrativas ou cronicas da nossa terra.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;Aqui podes procurar um estimulo para o teu grande desejo de escrever. Nos seremos por intermedio dos comentarios, os teus criticos literarios, para sempre positivamente, te ajudar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc9933;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6789702253270593598-3190052350652569678?l=timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/feeds/3190052350652569678/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6789702253270593598&amp;postID=3190052350652569678&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/3190052350652569678'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6789702253270593598/posts/default/3190052350652569678'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://timorlendasprosasenarrativas.blogspot.com/2007/07/timor-lendas-prosas-e-narrativas.html' title='Timor, lendas, prosas e narrativas'/><author><name>Mau Lear</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15677355814500837177</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
